O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas (PP), foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal nesta 5ª feira (7.mai.2026). A ação integra uma nova etapa da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes relacionados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Esta é a 1ª vez que a investigação atinge o núcleo político do caso.
Ciro Nogueira nasceu em Teresina no dia 21 de novembro de 1968. É formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Sua trajetória política começou no Piauí, onde construiu base eleitoral antes de alcançar projeção nacional.
Trajetória no Congresso
O congressista exerceu 4 mandatos consecutivos como deputado federal antes de ser eleito para o Senado em 2010. Ele assumiu o mandato em 2011 e foi reeleito em 2018. O atual mandato no Senado termina em 2026.
Desde 2013, Ciro Nogueira preside nacionalmente o Progressistas. Durante sua trajetória, participou de articulações políticas em diferentes governos federais. Sob sua liderança, o partido ampliou espaço nas negociações do Congresso Nacional.
Passagem pela Casa Civil
Entre 2021 e 2022, o senador ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No período, tornou-se um dos principais articuladores políticos da gestão bolsonarista no Congresso.
Nos últimos anos, Ciro Nogueira consolidou-se como uma das principais lideranças da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. Sua atuação se concentra em articulação partidária e debates econômicos.
Alvo da Operação Compliance Zero
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do senador em Brasília. A investigação aponta que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria custeado despesas pessoais de Ciro Nogueira, incluindo restaurantes, viagens internacionais e pagamentos de cartão de crédito.
Segundo a investigação, diálogos interceptados indicam repasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. A Polícia Federal também afirma que uma emenda parlamentar apresentada pelo senador teria sido elaborada pela assessoria do banco.

DEFESA DE CIRO REPUDIA DECISÃO
A defesa do senador Ciro Nogueira afirmou, via nota, repudiar “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Disse reiterar o comprometimento do Senador em “contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos“.
Afirma, ainda, que “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”.
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