O ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), José Guimarães (PT-CE) (Relações Institucionais), foi escalado para apaziguar os ânimos com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Guimarães esteve com o senador nesta 4ª feira (6.mai.2026). A reunião se deu uma semana após duas derrotas do Planalto no Congresso: a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria.
Em entrevista à CNN, o ministro da SRI disse que Alcolumbre está “tranquilo” e que pretende “continuar colaborando com o governo”. Inicialmente, aliados do presidente tinham aventado possíveis retaliações contra Alcolumbre. A reunião mostra uma tentativa de abrandar o clima.
Além disso, o líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse ao Poder360 que o governo quer evitar uma vingança ao Congresso.
O ministro da Defesa, José Múcio, se reuniu com Davi Alcolumbre na manhã 3ª feira (5.mai). Ao Poder360, Múcio disse que o encontro foi a pedido do próprio ministro para tratar de recursos para a Defesa. Questionado se também falaram de Messias, não respondeu até a publicação desta reportagem.
REJEIÇÃO DE MESSIAS
Jorge Messias teve a indicação ao STF rejeitada pelo Senado em 29 de abril. Foram 42 votos contrários, 34 favoráveis e 1 abstenção –para aprovação, eram necessários 41 votos a favor. Estavam presentes 79 dos 81 senadores.
A decisão é a 1ª rejeição de um indicado ao STF desde a redemocratização do Brasil. Ele foi indicado para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso.
Lula anunciou a indicação de Messias em 20 de novembro de 2025. A mensagem oficial chegou ao Senado em 1º de abril de 2026. A sabatina foi realizada 160 dias depois do anúncio e 28 dias após a formalização.
O presidente do Senado é apontado como o principal articulador da rejeição do ministro.
PL DA DOSIMETRIA
Os congressistas rejeitaram no dia 30 de abril o veto do presidente ao PL da Dosimetria. O placar na Câmara foi de 318 votos contra e 144 a favor da manutenção da medida. No Senado, 49 a 24, respectivamente.
O projeto estabelece novos parâmetros para definição de penas em processos relacionados a crimes de golpe de Estado e abolição do Estado de Direito. O texto beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 849 condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
O Legislativo aprovou o projeto em dezembro de 2025. Lula assinou o veto em 8 de janeiro deste ano, na cerimônia que marcou os 3 anos dos ataques às sedes dos Três Poderes.
