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Boulos critica Flávio Bolsonaro por “lição sobre feminicídio”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), criticou, em publicação no X nesta 4ª feira (6.mai.2026), o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), por declarações sobre violência contra mulheres no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio afirmou que o governo Lula “é o mais violento da história para mulheres”. Boulos questionou a legitimidade do senador para abordar o tema. Segundo o ministro, o maior aumento na taxa de feminicídio foi visto durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), pai do pré-candidato.

Flávio Bolsonaro querendo dar lição sobre feminicídio?”, declarou Boulos. “A turma que sempre atacou as mulheres agora quer pagar de civilizada. Hipocrisia tem limite!”.

Boulos citou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Disse que, sob a gestão do aliado de Flávio, crimes de feminicídio tiveram aumento de 41% em São Paulo. O dado se refere à comparação entre o 1º trimestre de 2026 e 2025, quando o registro de casos bateu recorde no Estado.

Em 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que 1.470 mulheres foram assassinadas por razões de gênero, uma média de 4 vítimas por dia no país. O número supera o registrado em 2024, quando foram contabilizados 1.464 casos. 

O avanço dos casos ao longo da última década evidencia uma tendência de crescimento. Entre 2015, quando o crime foi tipificado, e 2025, o número de feminicídios saltou cerca de 175%.

ELEITORADO FEMININO

As campanhas eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro buscam se aproximar do eleitorado feminino, considerado chave para a vitória na disputa pelo Planalto. O problema é que ambos apresentam taxa de rejeição quase iguais na categoria.

As eleições de 2026 caminham para ter um recorde de eleitoras. Dados de março do Tribunal Superior Eleitoral mostram que as votantes habilitadas do sexo feminino são 52,8% do total. Há hoje 82,8 milhões de mulheres e 73,9 milhões de homens aptos a votar.

Nos últimos meses, Lula tem convocado os “homens que prestam” para atuarem contra a violência às mulheres. O presidente encabeçou a ideia da primeira-dama, Janja Lula da Silva, para um Pacto Nacional Contra o Feminicídio, unindo propostas para os Três Poderes e endureceu regras em um novo pacote contra violência à mulher. 

Flávio tem no seu sobrenome o principal impasse para com esse eleitorado. Ainda como deputado, Jair Bolsonaro disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT) porque ela “não merecia”. A frase lhe rendeu condenação por danos morais. Em seu governo, Bolsonaro nomeou apenas 2 mulheres entre 22 ministros.

Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada em fevereiro mostrou que 54% das mulheres têm medo ou preocupação com a eleição do senador, contra 38,4% que sentiram o mesmo em relação a Lula. 

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