O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exigiu nesta 3ª feira (5.mai.2026) a soltura imediata de Thiago Ávila, preso por Israel após abordagem à flotilha Global Sumud. O barco em que o ativista estava tinha Gaza como destino, mas foi interceptado pelas forças israelenses em águas internacionais, na costa da Grécia, na 4ª feira (29.abr).
Lula escreveu no X que a prisão é “injustificável” e que, junto com a Espanha –que teve o palestino-espanhol Saif Abu Keshek detido–, trabalha para que sejam imediatamente soltos.

Um tribunal israelense autorizou nesta 3ª feira (5.mai) a prorrogação da detenção de Thiago Ávila até domingo (10.mai). Miriam Azem, da organização de direitos humanos Adalah, disse à agência de notícias AFP que as autoridades israelenses haviam solicitado uma prorrogação de 4 dias. Os ativistas estão detidos na prisão de Shikma, em Ashkelon, e são representados por advogados da ONG.
A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, partiu da França, da Espanha e da Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e levar suprimentos ao território palestino. Os 2 ativistas estavam entre os mais de 170 detidos pela Marinha de Israel na 4ª feira (29.abr). Os demais foram libertados na 6ª feira (1º.mai), na Grécia e na Turquia.
No sábado (2.mai), o Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou que os 2 ativistas teriam ligações com a PCPA (Conferência Popular para os Palestinos no Exterior). O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos disse que o grupo “age clandestinamente em nome do Hamas”.
A flotilha Global Sumud divulgou um comunicado no sábado (2.mai) afirmando que Ávila foi torturado pelas forças israelenses. O ativista disse aos advogados que foi “submetido a extrema brutalidade” quando as embarcações foram apreendidas. Acrescentou que foi “arrastado de bruços pelo chão e espancado tão violentamente que desmaiou duas vezes”.
Desde que chegou a Israel, o brasileiro disse que tem sido “mantido em isolamento e com os olhos vendados”. Leia a íntegra da nota (PDF – 216 KB).
O Itamaraty divulgou uma nota conjunta com o governo da Espanha na 6ª feira (1º.mai), em que condena o que classificou como “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel” e exige o retorno imediato de Ávila e de Abu Keshek com garantias de segurança.
“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirma a nota.

