Últimas

Lula se reuniu zero vezes com líderes do Congresso em 2026

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Lula se reuniu zero vezes com líderes do Congresso em 2026

A agenda oficial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou queda no contato direto entre o presidente e integrantes do Congresso Nacional no início de 2026. Os encontros com líderes da Câmara e do Senado, que no 1º trimestre de 2025 foram 3, desapareceram da agenda pública no mesmo período deste ano. O corpo a corpo com os presidentes das Casas foi zerado.

A inflexão foi em um momento de maior dificuldade na relação com o Legislativo. O episódio mais recente foi a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. O resultado expôs falhas na articulação do governo e surpreendeu o próprio Planalto. Tudo às vésperas da disputa eleitoral.

Há fadiga na relação com o Legislativo. Na votação de Messias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mobilizou votos contrários à indicação, e a articulação do governo não conseguiu se precaver.

O episódio também mostrou o enfraquecimento da influência do Planalto sobre o Congresso em um momento de pré-campanha. É quando, tradicionalmente, o governo tende a ampliar sua base de apoio.

Até a posse de José Guimarães (PT) como ministro das Relações Institucionais, o presidente da Casa ainda não tinha comparecido a nenhuma cerimônia no Planalto neste ano, apesar de convites. A nomeação de Guimarães mostrou que o governo reconhece a necessidade de reorganizar essa relação.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem comparecido ao Planalto, mas apenas para cerimônias oficiais. Não há registros de reuniões entre o paraibano e Lula.

O enfraquecimento da interlocução também aparece na relação com partidos. Em 2025, o governo gastou energia e emendas para acomodar União Brasil e PP. Em 2026, o diálogo com membros dessas siglas na agenda oficial caiu a zero. O próprio PT viu sua presença recuar. Siglas centrais para a governabilidade, como MDB e PSD, aparecem com pouquíssimos registros. 

Agora, o governo mapeia traições na votação de Messias.

Nesse ambiente, ganharam força as conversas reservadas. Por exemplo, Lula se encontra com regularidade, fora da agenda, com seu time de campanha. Também tem priorizado os jantares no Alvorada e encontros no fim de semana, sem registro oficial. E mesmo assim recebe pouquíssimos deputados e senadores. 

Alguns integrantes do Planalto relativizam o afastamento. Afirmam que o fluxo de congressistas segue intenso em outras frentes, como na Secretaria de Relações Institucionais.

A avaliação é que a queda na agenda oficial do presidente não é, necessariamente, uma redução no volume total de interlocução. Porém dentro do próprio governo há quem admita que faltou o corpo a corpo na reta final de Messias.

Copyright Sérgio Lima / Poder360 – 14.abr.2026
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) durante cerimônia de posse de José Guimarães (PT) no Palácio do Planalto, em Brasília

Viagens como ativo eleitoral

Ao mesmo tempo, há um cálculo eleitoral na agenda do presidente.

Lula tem priorizado o contato direto com eleitores por meio de viagens pelo país: foi de 16 viagens no ano passado para 30 em 2026

Ele também busca prestígio internacional. Os telefonemas para líderes estrangeiros cresceram 157% (de 7 para 18), consolidando a percepção de que o petista busca, lá fora, um escudo contra a baixa temperatura da sua articulação política doméstica. 

A política externa funciona como vitrine e está menos sujeita às fricções do Congresso. Lula tenta construir a imagem de um líder respeitado fora do país, cuja permanência no poder garantiria continuidade e previsibilidade nas relações exteriores. 

A estratégia também dialoga com a ideia, já explorada em campanhas anteriores, de que o reconhecimento internacional é ativo eleitoral doméstico.

O prestígio externo funciona como contraponto à perda de tração na articulação interna.

METODOLOGIA

A metodologia considera compromissos oficiais divulgados pela Presidência até 31 de março de cada ano e contabiliza reuniões formais com autoridades e atores políticos. No recorte partidário, são incluídos encontros com qualquer participante identificado como filiado a uma sigla.

O Poder360 procurou a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) para perguntar sobre a mudança de perfil da agenda presidencial, a redução de reuniões com lideranças do Congresso, governadores e partidos, e se há uma estratégia deliberada de reorganização da articulação política neste ano. 

Em nota, o órgão afirmou que “a agenda do presidente é dinâmica” e que os compromissos são definidos a partir de “diálogos, ações e articulações em Brasília e em todo o país”.

Segundo a secretaria, o presidente tem intensificado viagens para acompanhar investimentos e dialogar com estados e municípios. A Secom também declarou que o contato com congressistas é contínuo, não se restringindo a reuniões.

De acordo com a pasta, esse diálogo também se dá durante viagens nacionais e internacionais, que frequentemente contam com a participação de deputados e senadores de diferentes partidos.

A Secom também afirmou que a interlocução política é feita por meio da Secretaria de Relações Institucionais e dos ministérios, que mantêm contato permanente com congressistas.

O Planalto, no entanto, não detalhou se houve mudança deliberada no formato da articulação presidencial.


Leia também:

Lula se reuniu zero vezes com líderes do Congresso em 2026 — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado