A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal) pelo Senado Federal foi interpretada pelo ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado como um marco de enfraquecimento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para o goiano, o episódio expõe uma ruptura na relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso, causada pelo petista. “Ele, com toda essa birra dele, decretou o fim do governo. Está acabado”, declarou em conversa com o Poder360.
A votação no Senado Federal representou uma derrota direta para Lula, que havia indicado Messias para uma vaga no STF. Foi a 1ª vez desde 1894 que uma indicação dessa natureza é barrada. Caiado atribui o resultado ao que classifica como mudança de postura do presidente no seu 3º mandato. “Lula desaprendeu a governar. Passou a ter uma postura extremamente arrogante, impaciente, grosseira”, afirmou.
Segundo o ex-governador, o presidente está desconectado da política e tenta repetir estratégias de mandatos anteriores. “Diria que está desconectado da realidade atual, querendo implantar teses de quando governou há anos. Não é pela idade, é pelo seu atraso que ele não entendeu como é que se pratica a boa política hoje em dia”, disse.
Derrota no Senado
Para Caiado, a rejeição de Messias não foi um episódio isolado, mas o resultado de um processo de desgaste. E criticou a indicação, dizendo que Messias não cumpre com os critérios de notório saber jurídico necessário para assumir o posto.
“Ele não viu os sinais claros de que o Senado não estava disposto a receber goela abaixo uma candidatura que ele tirou do bolso do colete, um nome sem notório saber jurídico, sem reconhecimento como constitucionalista”, afirmou. “Mesmo sem essa estatura, queria que ele ficasse quase 30 anos ocupando um cargo no STF”, prosseguiu.
Na avaliação de Caiado, a articulação política que levou à derrota envolveu setores da centro-direita e foi liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). “Lula pode falar o que quiser. Mas é o sinal mais nítido que realmente o governo acabou”, declarou.
“Sem capacidade de governar”
O pré-candidato do PSD à Presidência afirma que o resultado da votação expõe isolamento político do presidente. “Dai para frente, não sei qual será a reação do Lula. Não sei como recebeu e qual vai ser a próxima reação dele ao fato”, disse.
Caiado, que governou Goiás por 2 mandatos, foi senador e deputado federal, diz que o principal problema do presidente é a perda de interlocução com o Congresso.
“O que fica claro é que ele não tem mais nenhum canal com o Congresso. Quando você está ilhado e sem articulação, você não governa”, afirmou.
Na avaliação do goiano, o episódio representa um ponto de inflexão no atual mandato. “Está nocauteado. Está sem capacidade de governar”, disse. E conclui: “É o sinal mais nítido de que o governo acabou.”
