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Brasil tem 2 milhões de imigrantes de 200 nacionalidades, diz relatório

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

O Brasil abriga pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, de 200 nacionalidades diferentes, presentes em todas as unidades da federação.

Os dados constam no 12º Relatório Anual do OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais) “Política Migratória no Brasil: evidências para gestão de fluxos e políticas setoriais”. O documento foi apresentado na 5ª feira (30.abr.2026) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e traz diversas recomendações para a efetiva integração destes públicos à sociedade brasileira.

Venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos são os grupos em destaque. Estima-se a residência de 680 mil venezuelanos no Brasil no início de 2026, com participação em maior número de mulheres e crianças (0 a 14 anos).

O levantamento tem o objetivo de subsidiar a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, editada no fim de 2025, que substituiu a Lei de Migração de 2017.

As análises incluíram aspectos em relação à evolução na intensidade dos fluxos migratórios, pontos de entrada no Brasil, composição por sexo e idade, distribuição espacial nas unidades da Federação e a estratégia de regularização desses grupos no país.

Os resultados também analisaram a situação de migrantes, refugiados e apátridas sob os seguintes eixos: trabalho, educação, proteção social e governança local.

POLÍTICA BRASILEIRA ACOLHEDORA

O atual representante da Acnur (Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados) no Brasil, Davide Torzilli, afirma que os dados públicos atualizados ajudam a enfrentar desafios mundiais e regionais desta temática.

“Quero destacar o compromisso [do Brasil] em fortalecer continuamente sua base de dados públicos como forma de garantir que informações qualificadas, transparentes sobre refugiados ou pessoas deslocadas à força e apátridas para que sejam mantidos e aprimorados. Dados confiáveis nos ajudam a responder ao desafio contemporâneo da mobilidade humana”, declarou Torzilli.

O representante diz que a nova política nacional é única no mundo e que o Brasil tem, de maneira consistente, afirmado seu compromisso com a governança do sistema de proteção social baseado em direitos humanos, cooperação internacional e responsabilidades compartilhadas.

A apresentação deste relatório antecede a participação da delegação brasileira na reunião agendada pelas Nações Unidas, em Nova York (EUA), na próxima semana, para debater o Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular.

O diretor do Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Victor Semple, afirmou que o governo federal formulou recentemente o Plano Nacional de Imigração Refúgio, e Apatridia, estabelecido na nova política nacional: “O governo federal reafirma o compromisso com essa pauta e a vocação do Brasil enquanto país acolhedor. Também confirma a perspectiva de inclusão nas políticas de governo”.

TRABALHO E RENDA

O 12º Relatório Anual do OBMigra mostra que o fluxo de trabalhadores migrantes no mercado de trabalho formal no Brasil aumentou 54% de 2023 a 2025. O número de trabalhadores imigrantes com carteira assinada superou os 414,96 mil vínculos em 2025.

Neste universo, 43% estão concentrados na produção industrial, especialmente no setor de abate de animais na região Sul.

Na comparação com pedidos de residência para trabalhar no Brasil, de 2022 a 2024, o aumento foi de 68%, indicando mais oportunidades de trabalho no país.

“Isso se deve a maior demanda por mão de obra de migrantes no Brasil, já que o país vive hoje um contexto de pleno emprego”, afirmou o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Sobre as principais nacionalidades, em 2025, o mercado formal de trabalho brasileiro contava com mais de 201 mil trabalhadores venezuelanos. Os haitianos vieram em seguida, com um crescimento de 20,4% de 2023 a 2025, com o total de 51.200 haitianos formalmente contratados no ano passado. Já os cubanos aparecem na 3ª posição, com 30.700 trabalhadores formais.

O órgão afirma que muitos imigrantes com ensino superior sofrem com a inconsistência de status e ocupam cargos de baixa qualificação e renda e, consequentemente, com menores rendimentos.

As informações do panorama atualizado das migrações internacionais também mostram que a maioria dos trabalhadores domésticos migrantes está na informalidade, ou seja, sem carteira assinada. Em 2024, eram 78,8% os trabalhadores domésticos sem carteira (1.184), enquanto só 21,2% tinham carteira assinada (318).

O estudo usou a base de dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego e os dados da Coordenação de Imigração Laboral do Ministério da Justiça.

PROTEÇÃO SOCIAL 

O documento constata o aumento expressivo de migrantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal, de 2023 a 2024. O número de migrantes cadastrados cresceu de 562.687 para 650.683.

No perfil sociodemográfico da população migrante cadastrada, a predominância é feminina (55,6%, em 2024).

Com relação à idade, os dados do CadÚnico indicam crescimento mais acentuado no número de migrantes crianças e adolescentes de 0 a 17 anos que passou de 159.011 em 2023 para 188.531 em 2024 –alta de 18,6%.

O relatório indica maior acesso a programas sociais, como o Bolsa Família. Em 2023, do total de 562.687 migrantes cadastrados no CadÚnico, 302.497 eram beneficiários do Bolsa Família, enquanto 260.190 não recebiam o benefício.

O documento sugere reduzir o tempo entre cadastramento e acesso a benefícios, por meio da ampliação da transparência e comunicação sobre critérios e etapas, além de aperfeiçoar mecanismos de monitoramento e gestão das filas de acesso a programas sociais.

LOCALIZAÇÃO

Os dados do CadÚnico evidenciam uma forte concentração da população migrante cadastrada em um conjunto reduzido de unidades da Federação, com destaque para grandes centros econômicos e estados estratégicos do ponto de vista migratório.

Três Estados concentram parcela expressiva do total de migrantes registrados no país. Em 2024, São Paulo manteve-se como a UF com o maior número de migrantes cadastrados, totalizando 140.033 registros, seguido por Paraná (102.046) e Roraima (86.845).

Também se destacaram como polos de atração econômica e permanência da população migrante os Estados de Santa Catarina (71.055) e Rio Grande do Sul (61.386).

EDUCAÇÃO

O estudo mostra o crescimento consistente das matrículas de estudantes imigrantes na educação básica de 2010 a 2024.

No período, o número de matriculados nas 3 etapas da educação básica, somado ao número de imigrantes nas modalidades educação profissional técnica de nível médio e na EJA (Educação de Jovens e Adultos), passou de 41.916 para 224.924 estudantes, resultando em um aumento de 437%.

Desde 2010, o número de migrantes em instituições de ensino superior cresceu 77,5%. Saltou de 16.696 em 2010 para 29.635 em 2023.


Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 30 de abril de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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