Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciaram um pente-fino para identificar as traições que levaram à rejeição de Jorge Messias no Senado na 4ª feira (29.abr.2026). O monitoramento é minucioso e atinge até o PSB, partido da base, que registrou defecções inesperadas, segundo governistas.
Lula deve optar pelo diálogo antes de eventuais retaliações, mas o revés foi interpretado como um sinal antecipado das disputas de 2026. A votação no plenário foi marcada por ofensiva da oposição, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O congressista, que é pré-candidato à Presidência, classificou o resultado como o “fim da governabilidade do Lula 3”.
Articulações
Como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalha para se manter como peça central na sucessão de 2027, a avaliação é que não deve pautar novas sabatinas neste ano. O governo deve usar o período para reorganizar a base. O foco imediato é mapear cargos e posições de influência na Casa.
A avaliação de aliados é que apenas o PT entregou a totalidade dos votos esperados. O desempenho do PSB, com dissidências, acendeu alerta na articulação política. A legenda é a mesma do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (MG), apontado como nome cotado para o STF.
O governo identifica defecções mais relevantes em bancadas do MDB e do PSD, partidos que controlam fatias importantes da Esplanada dos Ministérios. A votação no PSD surpreendeu o senador Otto Alencar (BA), uma das principais lideranças da sigla.
A principal pressão recai sobre cargos ocupados por indicados de Davi Alcolumbre. O desempenho do União Brasil foi classificado como “horrível” por aliados. Há defesa, dentro do governo, de que a ocupação de espaços na Esplanada seja condicionada à entrega de votos no Congresso.
- MDB: depois da reforma de março, o partido continua com influência em pastas como Cidades. Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes do governo Lula, assumiu a vaga de Sérgio Moro (PL-PR) como membro titular na CCJ, diante das articulações do governo para a votação;
- PSD: ocupa fatias importantes da Esplanada, incluindo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Carlos Fávaro);
- União Brasil: detém pastas como Comunicações (Juscelino Filho) e Turismo (Gustavo Feliciano).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne-se nesta 5ª feira (30.abr.2026) com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. O ministro é indicação do União Brasil, com respaldo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A oposição destacou que a maior parte do União Brasil, partido de Alcolumbre, também votou contra a indicação de Jorge Messias. Um dos principais fatores apontados para a rejeição foi o tema do aborto. “A maioria do Congresso é contra. Tanto que até parte da esquerda votou contra Messias”, disse o líder do Novo no Senado, Eduardo Girão (CE).
O tema foi recorrente durante a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na 4ª feira (29.abr.), levantado por parlamentares da oposição e da base governista. Messias foi questionado sobre parecer da AGU (Advocacia Geral da União), de 2024, que considerou inconstitucional resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) que proibia o aborto legal em fetos com mais de 22 semanas.
No parecer, a AGU afirma que a resolução dificultava, na prática, o acesso ao aborto legal em casos de estupro. Também sustenta que não cabe ao CFM impor limite temporal a um procedimento previsto em lei.

