O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), utilizou a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, no Senado, na 4ª feira (29.abr.2026), para reforçar um discurso de moderação, ao mesmo tempo em que fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao STF (Supremo Tribunal Federal). Leia a íntegra das declarações de Flávio Bolsonaro e as respostas de Jorge Messias (PDF – 52 KB).
Durante a sabatina, o senador concentrou perguntas de temas sensíveis à base bolsonarista, como os atos de 8 de Janeiro, anistia aos condenados e a atuação do STF. Ao questionar sobre os presos pelos ataques às sedes dos Três Poderes, Flávio citou o que considera desproporcionalidade das penas e mencionou casos de condenações de até 14 anos.
Messias respondeu que os atos de 8 de janeiro foram “um dos episódios mais tristes da história recente” e afirmou que o processo penal deve seguir princípios como proporcionalidade e individualização da pena. “Processo penal não é ato de vingança. Processo penal é ato de Justiça”, declarou.
Sobre a anistia, Flávio defendeu uma medida “ampla, geral e irrestrita” e questionou a competência para concedê-la. Messias afirmou que o tema cabe ao Congresso Nacional, classificando-o como um ato “jurídico-político-institucional”, e evitou antecipar posicionamentos.
O senador também levantou críticas à atuação do Supremo e sugeriu interferência da Corte em debates legislativos. Em resposta, Messias disse que ministros podem atuar quando provocados, especialmente para mediar conflitos, e destacou a importância da conciliação entre os Poderes.
Outro ponto abordado foi o caso de descontos indevidos em benefícios do INSS. Flávio questionou a atuação da AGU no bloqueio de recursos de entidades envolvidas. Messias afirmou que as ações foram conduzidas de forma “técnica e republicana” e que já resultaram no bloqueio de mais de R$ 2,33 bilhões, além da devolução de valores a milhões de beneficiários.
TOM MODERADO DE FLÁVIO
A combinação entre enfrentamento institucional e moderação no discurso público é uma tentativa de ampliar seu alcance político. Reportagem do The Washington Post mostra que Flávio foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como seu sucessor na disputa presidencial, mesmo diante de resistências de aliados que defendiam um nome fora da família.
Segundo o jornal, o senador reconhece o peso ambíguo do sobrenome Bolsonaro, ao mesmo tempo ativo eleitoral e fator de rejeição, e tenta reposicionar sua imagem. “Estou mais inclinado ao diálogo e a construir pontes. Eu sou o Bolsonaro que você sempre quis”, afirmou à publicação. Em outra declaração, disse que “a moderação virá em como eu comunico minhas ideias”.
Essa estratégia apareceu na forma como conduziu as intervenções públicas na sabatina de 4ª feira (29.abr), ao equilibrar críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Judiciário com um tom mais moderado no pós-votação. O movimento foi visto como tentativa de dialogar com diferentes públicos em um cenário de forte polarização.
DECLARAÇÕES DE FLÁVIO
Jorge Messias perdeu a votação para se tornar ministro do STF. Ele recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis. Houve uma abstenção. Eram necessários, pelo menos, 41 votos a favor. Estavam presentes na sessão 79 dos 81 senadores.
Em publicações nas redes sociais, depois da votação, Flávio afirmou que o Senado “fez história” ao rejeitar a indicação e disse que o resultado impede que “a esquerda e o PT aparelhem ainda mais o Estado e a Justiça”. Em outra postagem, declarou que a decisão representaria “o fim do governo Lula”.
📹 #Vídeo Flávio Bolsonaro diz que o Brasil tem um futuro, depois de derrota de Messias
⚖️ No seu perfil no X, Flávio Bolsonaro publicou, nesta 4ª (29.abr.2026), um vídeo da sua declaração contrária à nomeação de Jorge Messias a ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). No… pic.twitter.com/Tz2iBKrbr2
— Poder360 (@Poder360) April 30, 2026
Na saída do plenário do Senado Federal, o senador disse a jornalistas que a rejeição do nome de Messias foi motivada por um “conjunto de fatores” e também por uma reação política ao Executivo. “É uma resposta ao governo também, que não pode continuar governando, pisando no Congresso Nacional, contando com algum nível de ajuda de um Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
Apesar de classificar o episódio como uma vitória da oposição, Flávio adotou tom mais contido ao comentar o resultado. “Eu não estou comemorando nada, mas óbvio que é uma vitória da oposição”, disse. Segundo ele, trata-se de um “momento histórico”, já que, pela 1ª vez, o Senado rejeitou um indicado ao STF.
