A decisão do Senado Federal de rejeitar o indicado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, por 42 votos a 34, surpreendeu os ministros da Corte. Segundo auxiliares dos magistrados, a expectativa interna era de que houvesse uma aprovação apertada.
Os ministros do STF esperavam que a eventual aprovação de Messias pudesse mudar a correlação de forças no tribunal. Desde o momento em que foi anunciado por Lula, em novembro de 2025, integrantes do Supremo atuaram publicamente em defesa do indicado, como André Mendonça, Gilmar Mendes e Edson Fachin.
Oficialmente, a presidência do STF afirmou que tomou conhecimento da decisão e que “aguarda, com a serenidade e o senso de responsabilidade institucional, as providências constitucionais cabíveis para o oportuno preenchimento da vaga em aberto”.
No X (antigo Twitter), o ministro André Mendonça disse que o Brasil “perde a oportunidade de ter um grande ministro no Supremo” e afirmou que o indicado preenche todos os “requisitos” para ser um integrante do tribunal.
Articulação para auxiliar Messias
Havia uma articulação ativa da presidência do tribunal para acompanhar e auxiliar Jorge Messias em seu processo de sabatina. Entre os ministros, também existia um monitoramento de votos favoráveis. A expectativa era de uma vitória apertada, atingindo o quórum mínimo de 41 votos para a aprovação.
Existia, no entanto, o reconhecimento do risco real de uma possível derrota. A leitura política é de que a indisposição institucional entre o Congresso Nacional, o Executivo e o Judiciário dificultou a campanha de Messias.
Mudança na correlação de forças
Internamente, a expectativa era de que a aprovação de Messias alterasse a correlação de forças no tribunal, fortalecendo a ala capitaneada pelo ministro Edson Fachin. Esse grupo tem aglutinado o apoio dos ministros André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux e Cármen Lúcia ao defender uma autocontenção da Corte e a proposta de novas regras para a atuação dos magistrados.
Na sabatina realizada nesta 4ª feira (29.abr.2026), Messias defendeu uma maior discrição na atuação do tribunal e indicou apoio à proposta de um Código de Ética capitaneada por Fachin.
Jorge Messias foi o primeiro nome a ser barrado pelo Senado Federal em 132 anos. O último presidente que não conseguiu emplacar seu candidato para o Supremo Tribunal Federal foi o marechal Floriano Peixoto, em 1894.
