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Entenda o impacto da saída dos Emirados Árabes da Opep

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram na 3ª feira (28.abr.2026) sua saída da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a partir de 1º de maio em um movimento político e estratégico. O país começou a integrar o grupo em 1967, há 59 anos. 

Segundo Pedro Rodrigues, sócio do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) e especialista em óleo e gás, a decisão dos Emirados não deve impactar os preços, pelo menos no curto prazo. Mas, traz mudanças positivas para o mercado de petróleo e representa uma vitória para os Estados Unidos.

O governo dos Emirados disse que a decisão é motivada por “interesses nacionais”. Também citou o compromisso do país em contribuir para atender às necessidades urgentes do mercado em um contexto de volatilidade geopolítica. O país também comunicou que está de saída da Opep+, aliança estabelecida em 2016 que reúne os 12 (agora 11) integrantes centrais da Opep e outros 10 grandes produtores, entre eles Rússia, México e Cazaquistão. 

Atualmente, o estreito de Ormuz está fechado por conta do conflito entre Estados Unidos e Irã. A restrição na região, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, e ataques a infraestruturas energéticas reduziram a oferta da commodity

A produção da Opep encolheu 8 milhões de barris por dia em março, queda de 27,5% em relação a fevereiro. Ao mesmo tempo, os Emirados demonstraram insatisfação com a resposta considerada fraca dos países da região ao conflito.

O objetivo do país é aumentar a produção de petróleo, que deve passar de 3 milhões de barris por dia para até 6 milhões. Os Emirados Árabes têm reservas comprovadas de até 113 bilhões de barris. São a 6ª maior do mundo.

“Os Emirados têm capacidade ociosa e é inteligente sair do grupo agora que o preço do petróleo está alto. A saída vai impactar pouco o preço, porque a cotação neste momento está totalmente ligada ao conflito no Irã e não vai se normalizar rapidamente, mesmo que a guerra acabe. Então, eles ganharão muito dinheiro”, afirmou Rodrigues. 

Com início da guerra em 28 de fevereiro, o barril tipo Brent saiu do patamar dos US$ 60 para mais de US$ 100.

O país tem uma disputa interna na Opep com a Arábia Saudita, que é a favor do controle dos preços do petróleo por meio da oferta. Os membros do grupo são obrigados a obedecer cotas de produção para manter o Brent no patamar desejado.

ENFRAQUECIMENTO DA OPEP+

De acordo com o especialista do CBIE, a saída dos Emirados Árabes enfraquece a organização, que perde um aliado importante. Outros produtores de petróleo deixaram a Opep+ nos últimos anos como Qatar em 2019, Equador em 2020 e Angola em 2023.

“A saída pode originar a retirada de outros países. Por exemplo, a Venezuela, que se começar a receber investimentos do exterior pode deixar a organização para produzir mais. O Irã é outro caso, ninguém sabe o que pode acontecer depois da guerra”, declarou Rodrigues.

VITÓRIA PARA OS EUA

Com a decisão, os Emirados sinalizam um distanciamento regional e uma possível reaproximação com os Estados Unidos. Rodrigues vê a decisão como uma “vitória” para o país e para o presidente Donald Trump (Partido Republicano) que busca baixar o preço do petróleo desde que assumiu a Casa Branca.

“É positivo para o mercado, que fica menos dependente dos árabes e pode começar a funcionar mais com uma lógica de mercado mesmo”, disse.

SOBRE A OPEP

A Opep é uma organização intergovernamental criada em 1960 por Arábia Saudita, Venezuela, Irã, Iraque e Kuwait. Surgiu como resposta ao controle do mercado pelas grandes petroleiras internacionais, conhecidas como “Sete Irmãs”, e à queda dos preços do petróleo imposta por essas empresas.

Seu objetivo é coordenar e unificar as políticas petrolíferas dos países-membros, garantindo maior estabilidade de preços e protegendo as receitas das nações exportadoras.

Atualmente, o grupo reúne países produtores como Emirados Árabes Unidos, Argélia, Nigéria, Líbia, Guiné Equatorial, Congo e Gabão, além dos fundadores.

Desde 2016, a Opep atua em conjunto com outros grandes produtores na aliança Opep+, que inclui países como a Rússia e o Brasil. Nesse formato, os países cooperam para discutir estratégias e estabilidade do mercado global de petróleo, embora nem todos tenham obrigações formais de cortes de produção.

Os Emirados Árabes seguem o exemplo de Angola, que deixou a Opep em 1º de janeiro de 2024, citando desacordos sobre cotas reduzidas de produção de petróleo. 

Lista atualizada de países da Opep:

  • Argélia
  • Congo (República do Congo)
  • Guiné Equatorial
  • Gabão
  • Irã
  • Iraque
  • Kuwait
  • Líbia
  • Nigéria
  • Arábia Saudita
  • Venezuela

Ex-membros recentes:

  • Qatar (2019)
  • Equador (2020)
  • Angola (saiu em 2023)
  • Emirados Árabes (2026)

Países aliados da Opep+:

  • Rússia
  • Cazaquistão
  • Omã
  • Azerbaijão
  • Bahrein
  • Brunei
  • Malásia
  • México
  • Sudão
  • Sudão do Sul
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