A Polícia Federal disse nesta 3ª feira (28.abr.2026) que a abordagem a um morador de Presidente Prudente (SP) feita por agentes da corporação apurava possível “crime contra a honra”. O episódio se deu no domingo (26.abr.2026) depois que o homem exibiu uma faixa com a palavra “ladrão” na janela do próprio apartamento, localizado próximo a um evento que contaria com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na 2ª feira (27.abr).
Em nota, a PF disse que “realiza, de forma rotineira, ações de segurança voltadas à proteção de autoridades, conforme protocolos estabelecidos”. Lula, que está em recuperação após uma cirurgia para remover uma lesão de um câncer de pele, não foi à cidade.
O vídeo que circula nas redes sociais mostra o diálogo entre o morador, chamado durante a conversa como “Marcelo”, e os agentes. Em um dos momentos, um dos agentes diz que a faixa “faz referência ao presidente” e “considerada ofensiva”. E pede ao homem para que a opinião dele fosse manifestada de outra forma.
Ao afirmar que retiraria a faixa “se der algum problema”, o homem ouve como resposta que “já vai dar” e que a equipe teria ido ao local previamente por esse motivo. “Quando nossos superiores vierem no dia do evento, eles virão com mais rigor porque você já foi alertado. Eles não vão considerar isso como opinião”, diz o agente.
Em outro momento, o morador argumenta que se trata de uma opinião, e um dos agentes responde que superiores não interpretariam dessa forma. “Liberdade de expressão vai até onde você não fere a liberdade do outro”, afirma o policial.
“Se tivesse escrito ‘Lula Ladrão’, você poderia vir falar comigo”, disse o morador.
De acordo com os relatos, o morador afirmou que a manifestação foi feita dentro de sua propriedade privada e sem direcionamento nominal a qualquer autoridade. Ele também disse, na gravação, que não tem filiação partidária.
Assista (8min08s):
O Poder360 procurou a Secretaria de Comunicação da Presidência para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da atuação da PF neste caso. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Leia a íntegra da nota da PF:
“A Polícia Federal informa que realiza, de forma rotineira, ações de segurança voltadas à proteção de autoridades, conforme protocolos estabelecidos.
“No caso mencionado, foram realizadas diligências iniciais e orientações no local, em razão da presença de faixas com dizeres que, em tese, poderiam configurar crime contra a honra, nos termos da legislação vigente.
“Esclarece-se que os procedimentos e práticas relacionados à proteção de autoridades não são detalhados publicamente, em razão da natureza das atividades.
“Informações como estratégias de atuação, protocolos operacionais e demais aspectos sensíveis são resguardados, tendo em vista que sua divulgação pode comprometer a segurança das pessoas protegidas e a efetividade das ações.”


