O pré-candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou nesta 2ª feira (27.abr.2026) que o Maranhão vive sob um regime político de exceção. Segundo o fundador do MBL (Movimento Brasil Livre), a classe dirigente local atua de forma predatória.
Durante entrevista ao programa “Frente a Frente”, produzido pela Folha de S.Paulo e pelo portal Uol, Renan declarou que o Estado necessita de uma intervenção estrutural profunda para romper com o que chamou de “elites parasitárias”.
“A democracia não existe no Maranhão. Eu acredito de fato que a população maranhense precisa de intervenção. A classe política de lá é parasitária”, disse o pré-candidato, que sugeriu a adoção de mudanças extremas no pacto federativo. Dentre elas, Renan quer impedir que cidadãos de municípios que não atinjam indicadores mínimos de desenvolvimento e serviços públicos exerçam o direito ao voto. Segundo ele, isso seria uma forma de pressionar as gestões locais por mais eficiência.
A estratégia de Renan para viabilizar a sua candidatura em 2026 é focar prioritariamente no eleitorado jovem, especificamente homens com até 24 anos. Atualmente ele realiza uma caravana rodoviária pelo país, financiada por doações de apoiadores com o objetivo de aumentar sua exposição junto ao público. De acordo com ele, o principal adversário neste estágio da campanha é o desconhecimento do eleitor comum sobre sua plataforma.
SEGURANÇA E JUSTIÇA
No campo da segurança pública, o líder do Missão defende uma agenda de “lei e ordem” inspirada em modelos internacionais de combate ao crime organizado. Ele propõe a decretação de estado de defesa em territórios dominados por facções criminosas e a implementação do que classifica como um “direito penal do oprimido”. A tese prevê a aplicação de penas significativamente mais brutas e severas contra aqueles que ele define como “inimigos do Estado”.
Questionado sobre a pena de morte, Renan afirmou que a punição já é uma realidade cotidiana em diversas periferias brasileiras sob o controle de grupos criminosos. “A gente já tem pena de morte no Brasil, no tribunal do crime”, argumentou, defendendo que o Estado retome o monopólio do uso da força com maior rigor jurídico e policial.
Sobre a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, o pré-candidato afirmou que não é favorável à concessão de uma anistia para os crimes investigados, mas defendeu que o Judiciário aplique uma dosimetria de penas equilibrada. Renan aproveitou para criticar potenciais adversários na direita, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), a quem chamou de “puxa-saco” do ex-presidente. Também buscou afastar-se de movimentos de nicho da internet, classificando a cultura misógina redpill como algo tosco.
ECONOMIA E REFORMAS
A plataforma econômica do pré-candidato baseia-se em uma reforma fiscal que impeça o que ele chama de “estelionato eleitoral”. Renan defende que o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias seja vinculado exclusivamente aos índices oficiais de inflação, sem ganhos reais que possam “comprometer” a estabilidade das contas públicas. Ele prega a redução drástica do tamanho da máquina administrativa, a digitalização total dos serviços públicos e o fim do que chama de privilégios do alto funcionalismo.
O empresário quer se apresentar como uma opção de ruptura com relação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao grupo de Flávio Bolsonaro (PL), sob a alegação de que ambos representam um sistema político esgotado. Durante o programa, Renan evitou comentar a trajetória de Arthur do Val, ex-aliado que teve o mandato cassado na Assembleia Legislativa de São Paulo.
O partido Missão, oficializado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2025, prepara-se para a sua primeira disputa presidencial. A legenda conta com a articulação direta de congressistas como o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), que atua na construção das bases regionais para apoiar a jornada de Renan pelo país. O pré-candidato reafirmou que a sua campanha será pautada pela “verdade nua e crua”, mesmo que isso signifique defender propostas controversas sobre o sistema federativo e o funcionamento das instituições.
