O PT ensaiou no 8º Congresso do partido, neste domingo (26.abr.2026), um reposicionamento ao reivindicar para si o campo “antissistema”, explorado por alas da direita nos últimos anos. O presidente da sigla, Edinho Silva, afirmou que o partido precisa voltar a se apresentar como alternativa ao modelo político atual e disputar esse espaço.
“A resposta do antissistema está na esquerda, não está na direita e não está no fascismo. A resposta ao antissistema está conosco. E o manifesto diz isso. E nós temos que sair a partir de amanhã dizendo que essa é a posição do PT”, disse no discurso de encerramento do 8º Congresso Nacional do PT, realizado no Brasil 21, em Brasília.
Segundo Edinho, o manifesto do PT aprovado no congresso reforça essa posição da sigla. O partido volta a questionar o funcionamento do sistema político, com defesa de reforma eleitoral e maior centralidade de programas partidários, além de propor mudanças no Judiciário, no sistema econômico e na relação entre Estado e mercado. Eis a íntegra (PDF – 172 kB).
Durante o discurso, Edinho também defendeu que o partido retome a crítica estrutural ao sistema político e volte a organizar o debate em torno de projetos.
“Nós queremos saber o que o PL pensa para o Brasil. Queremos saber o que os partidos que alimentam o fascismo pensam para o país para que a gente possa dizer qual é o projeto de Brasil que o PT defende”, declarou, mencionando a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O uso do “antissistema” pelo PT faz parte de uma estratégia de reposicionamento adotada ao longo de 2026, diante do desgaste do Congresso e do Supremo com a opinião pública. O movimento também busca distanciar o partido de episódios recentes que expuseram tensões para Lula –como o caso envolvendo o Banco Master.
“Nós não podemos ser a favor de um sistema político que transforma a negociação entre Executivo e Legislativo em balcão de negócios e de negociatas. Esse modelo político não é o nosso”, disse o presidente da sigla.

Em fevereiro de 2026, Edinho já havia dito que quer posicionar a legenda como um “partido antissistema”.
Segundo ele, o desafio é “capturar esse sentimento de indignação, de mudança”. O presidente do PT afirmou que o governo de Lula é “o governo do antissistema”.
Dirigentes dizem que a ideia não é negar a experiência no poder, mas resgatar a origem do partido como força de contestação.
Ao final do 3º mandato de Lula, o PT terá comandado o país por cerca de 17 anos e meio desde 2000.
O PT foi fundado nos anos 1980 com discurso de ruptura institucional e defesa de reformas estruturais –bandeiras que, segundo líderes do PT, teriam sido diluídas ao longo do tempo em nome da governabilidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia afirmado que a esquerda “se tornou o sistema”. A declaração foi feita no Fórum em Defesa da Democracia, na Espanha. Segundo o presidente, parte desse campo perdeu coerência ao longo do tempo.
“Governos de esquerda ganham as eleições com o discurso de outros de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente como antissistema”, declarou Lula em discurso –que foi exibido no Congresso do PT para a militância.
No mesmo evento, o candidato do PT para o governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), vinculou o “sistema” à família Bolsonaro.
“Só entregou o caos para esse país, desde sempre, porque eles se vendem como antissistema e estão há 30 anos fazendo a pior política da história do país. Das rachadinhas ao genocídio da pandemia, eles estão sempre do lado da destruição”, declarou.
Leia também:

