O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou ao menos R$ 1,5 milhão em 2026 para aumentar o alcance de publicações nas redes sociais em defesa do fim da escala 6 X 1. O levantamento foi feito pelo Poder360 com base em dados da Meta Ad Library, que reúne anúncios veiculados no e no Instagram.
Os dados são referentes a todos os impulsionamentos (pagamentos) identificados na plataforma de 1º de janeiro a 22 de abril abril de 2026. Algumas publicações receberam mais de 1 investimento para terem um alcance ainda maior do que teriam espontaneamente. A Meta não apresenta na plataforma o valor pago exatamente. Mostra o mínimo e o máximo investido. O Poder360 considerou o máximo para o cálculo.
Do total de R$ 1,5 milhão gasto neste ano, R$ 881 mil foram pagos de 15 a 18 de abril. Lula intensificou os impulsionamentos após ter apresentado, em 14 de abril, uma proposta sobre o tema ao Congresso Nacional. A disparada do investimento também coincidiu com a semana que antecedeu a votação, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, de propostas sobre o tema.
A maior visiblidade dos posts contra a escala 6 X 1 pressiona congressistas a votar a favor.
O colegiado aprovou na 4ª feira (22.abr) a admissibilidade da redução da jornada de trabalho 6 X 1. O texto agora será analisado em comissão especial. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer votar no plenário em maio.
Os R$ 881 mil foram investidos no aumento do alcance de 5 publicações. Esses posts acumularam 39 impulsionamentos no Instagram e 3 no Facebook.
Os impulsionamentos foram direcionados para quem tem de 18 a 44 anos. Atingiram sobretudo usuários de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Distrito Federal –Estados estratégicos nas eleições.

O post que recebeu o maior investimento (R$ 350 mil) foi um vídeo publicado em 19 de março no perfil do governo no Instagram.
Tinha 63,3 milhões de visualizações até as 20h de sábado (25.abr).
Em nota enviada ao Poder360, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) afirmou que “os critérios utilizados pela pasta para a distribuição do investimento em publicidade são balizados por critérios técnicos”.
“O reforço do uso das redes sociais para divulgação das ações do Governo do Brasil reflete os novos hábitos da população na hora de buscar informações, com aumento do tempo dedicado à navegação nesses canais. A estratégia tem como objetivo garantir e ampliar o acesso da população a informações relacionadas aos direitos do cidadão e aos serviços colocados à sua disposição.”
DEBATE NO CONGRESSO
Paralelamente ao projeto apresentado pelo governo, duas PECs (Propostas de Emendas Constitucionais) que também tratam da redução da jornada de trabalho já passaram por análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.
Na 4ª feira (22.abr), o colegiado analisou em conjunto os seguintes textos:
- PEC 221 de 2019 – propõe reduzir a jornada semanal de trabalho para 36 horas, com implementação depois de 10 anos. O texto mantém a possibilidade de compensação de horários por acordo coletivo. Tem autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG);
- PEC 8 de 2025 (apensada à PEC 221 de 2019) – estipula jornada de até 36 horas semanais distribuídas em 4 dias de trabalho, com 3 dias de descanso. Extingue a escala 6 X 1 e mantém a possibilidade de ajustes por negociação coletiva. Tem autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP).
A votação foi simbólica e teve parecer favorável do relator, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA). Como a CCJ avalia só a constitucionalidade, o mérito das PECs será discutido em uma comissão especial criada por Motta na 6ª feira (24.abr). Para essa comissão, os textos foram unificados na proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
O governo passou a defender a substituição do relator da PEC na comissão especial. Embora Azi tenha atuado na CCJ e seja cotado para seguir na etapa seguinte, o Planalto avalia que ele não está alinhado às mudanças defendidas pelo Executivo.
Azi defende uma transição gradual, com redução da jornada para 40 horas semanais e medidas de compensação às empresas, como desoneração da folha. O governo, por sua vez, pressiona por implementação imediata.
O início dos trabalhos da comissão especial está previsto para esta semana. Depois, o texto seguirá ao plenário, onde precisará de maioria qualificada de 3/5 para aprovação. Motta defende acelerar a tramitação e trabalha com a meta de levar o texto ao plenário antes do recesso de julho, declarando que não pretende “procrastinar” a análise.
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