O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que pretende defender uma anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, criticou o que chama de excessos do STF e propôs idade mínima de 60 anos para ser ministro da Corte.
Caiado disse que, se eleito, pretende encaminhar imediatamente ao Congresso um projeto de anistia. “Anistiarei todos, e, a partir do outro minuto, eu já estarei governando”, declarou em entrevista aos jornalistas Lorenna Rodrigues e Victor Ohana, do Estadão. Segundo ele, a medida seria necessária para encerrar o que classificou como um ciclo prolongado de tensão política no país.
STF
O ex-governador voltou a criticar o STF e afirmou que há uma “anomalia do sistema político brasileiro”. Disse que pretende propor mudanças nos critérios para escolha de ministros e estabelecer idade mínima de 60 anos para o cargo “e um currículo consagrador de jurista e constitucionalista”.
Também defendeu a retomada do presidencialismo com maior controle sobre a execução do orçamento. Segundo ele, o atual modelo de emendas parlamentares fragmenta a implementação de políticas públicas.
ESCALA 6 X 1
Ao falar sobre a proposta de redução da escala 6 X 1 para 5 X 2, aprovada na 4ª feira (22.abr.2026) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, o pré-candidato indicou que o tema deve avançar no Congresso por pressão popular. Questionou se haveria congressistas dispostos a votar contra a mudança, mas disse ter outra visão sobre o modelo ideal.
“A minha tese é da hora trabalhada. Você trabalha quantas horas desejar e no dia em que desejar”, afirmou. Na avaliação de Caiado, esse formato ampliaria a liberdade do trabalhador e favoreceria a convivência familiar. Ainda assim, declarou respeitar o debate atual e avaliou que a proposta de mudança na escala tende a ser aprovada.
Ao ser perguntado se é a favor ou contra, Caiado não deu uma resposta direta: “Você acha que algum deputado ou algum senador vai votar contra uma proposta que diz que você vai trabalhar 5 X 2 e vai receber a mesma coisa? Qual é o deputado que vai votar contra? Qual é o senador que vai votar contra?”.
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CRÍTICAS A LULA
Caiado criticou políticas econômicas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente o programa Desenrola Brasil. Disse que a iniciativa não enfrenta as causas do endividamento e comparou seus efeitos a um alívio temporário.
“É como dar Novalgina a uma fratura exposta”, afirmou o ex-governador, que é médico. Segundo ele, o programa reduz momentaneamente a pressão sobre o consumidor, mas não resolve o problema estrutural dos juros elevados.
O pré-candidato também criticou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Declarou que o impacto no orçamento das famílias é pequeno diante das taxas cobradas no crédito: “Você tira R$ 200, R$ 300 no holerite, mas paga juros de 15%, 22%, 24%, até 400% no cartão”.
Ele disse que o governo Lula aposta em políticas que dividem a sociedade. “O PT só governa no enfrentamento da luta de classes”, afirmou.
BOLSONARO
Caiado evitou fazer críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também pré-candidato à Presidência, e disse que não pretende personalizar o debate eleitoral. Afirmou ter “receio de candidatura que já começa muito alta” e classificou esse cenário como um possível “falso positivo” antes do início dos debates.
Sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que a derrota eleitoral em 2022 indica problemas de gestão: “Se perdeu a eleição no mandato e não fez o sucessor, é lógico que não pode se credenciar como bom gestor naquele momento”.
O pré-candidato afirmou que mantém coerência em sua trajetória política e negou mudança de posicionamento ideológico por não ter sido escolhido o candidato de Bolsonaro. Disse defender, desde o início da carreira, princípios como direito de propriedade e economia de mercado.
ELEIÇÕES
O pré-candidato disse que ser desconhecido por parte significativa do eleitorado é uma limitação inicial de sua campanha.
Segundo pesquisa CNT/MDA, mais da metade dos eleitores dizem não conhecê-lo.
Caiado afirmou, porém, que a avaliação positiva de sua gestão em Goiás pode servir como base para ampliar apoio. “Onde me conhecem, eu tenho 88% de aprovação”, disse.
Afirmou também que pretende usar debates e a reta final da campanha para ampliar visibilidade. Comparou sua trajetória à música sertaneja. “Na hora em que começaram a ouvir, tomou conta do Brasil. A minha campanha é igual”, declarou.
