O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou nesta 3ª feira (21.abr.2026) em “reciprocidade” depois de os Estados Unidos expulsarem o delegado Marcelo Ivo Carvalho por “contornar pedidos de extradição”. A medida se dá depois da prisão de o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL), realizada em 13 de abril.
Antes de viajar da Alemanha para Portugal, Lula disse a jornalistas que, se tiver havido abuso das autoridades norte-americanas na expulsão do delegado do país, o Brasil poderá responder com “reciprocidade”.
“Eu não sei o que aconteceu, fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso, sabe, americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa, ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil”, declarou Lula.
ENTENDA
O delegado Marcelo Ivo Carvalho atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami desde 2023. A função de Carvalho era voltada à cooperação internacional na área de segurança. Por isso, ele atuava com o Departamento de Segurança Interna americano, tratando de temas como imigração e combate ao terrorismo.
A permanência inicial do delegado em Miami era de 2 anos. Em março de 2025, a missão foi prorrogada por mais um ano, até agosto de 2026.
Em sua carreira de mais de 20 anos como delegado da PF, Carvalho foi superintendente da Polícia Federal na Paraíba, delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo e chefe da Delegacia do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
ACUSAÇÃO DE PERSEGUIÇÃO
O senador Dr. Hiran (PP-RR) afirmou, em 15 de abril, que um “delegado nos EUA” perseguia Ramagem e sua família. O congressista disse ainda que existia uma pressão do governo brasileiro sobre o caso.
Assista (3min9s):
PARTICIPAÇÃO NA PRISÃO DE RAMAGEM
A situação de Marcelo Ivo Carvalho mudou com a prisão de Ramagem pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas), a polícia de imigração norte-americana. Ele foi solto 2 dias depois.
O ex-deputado, que está morando nos EUA, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão na ação sobre tentativa de golpe, pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.
A PF alegou que a prisão ocorreu dentro de uma cooperação internacional entre autoridades brasileiras e americanas, mas os EUA discordaram.
Em comunicado, o Departamento de Estado acusou Carvalho de tentar manipular o sistema migratório, contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano. Por isso, o país interrompeu a missão do delegado antes do previsto.
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