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Suspeito de vazar dados do STF chama ação de Moraes de “truculenta”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)

O empresário Marcelo Conde negou participação em esquema de vazamento de dados sigilosos da Receita Federal envolvendo familiares do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em nota divulgada nesta 2ª feira (20.abr.2026), ele contestou as acusações e classificou como “truculenta” a operação autorizada pelo magistrado.

O STF expediu mandado de prisão contra o empresário no início de abril e o considera foragido. A investigação apura a obtenção irregular de dados fiscais. Segundo o Supremo, Conde forneceu uma lista de CPFs e pagou R$ 4.500 em espécie para obter declarações fiscais de forma ilícita. O contador Washington Travassos de Azevedo afirmou que o empresário solicitou informações sobre parentes de Moraes, incluindo a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

A Procuradoria Geral da República identificou acessos irregulares a dados de 1.819 contribuintes, entre eles, pessoas ligadas a ministros do STF, do Tribunal de Contas da União, além de congressistas e empresários. Foram cumpridos 6 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Na defesa, Conde afirmou que “nunca atuou ou participou de organização voltada à obtenção de dados sigilosos” e negou estar foragido. Ele disse não ter tido acesso à decisão judicial e declarou que isso compromete seu direito de defesa. Marcelo é filho de Luiz Paulo Conde, ex-prefeito do Rio.

O empresário também criticou a condução do caso e afirmou que houve apreensão de dispositivos de familiares e “exposição avassaladora” à imprensa. Disse que pretende se defender com base no devido processo legal e na ampla defesa. Não há informações atualizadas sobre seu paradeiro nem sobre o andamento da investigação.

Eis a íntegra da nota:

“Essa recusa me impede de me defender e fere diversas garantias que nenhum cidadão deveria ter de reivindicar em uma democracia.

“Nesta ação judicial truculenta, digna de regime de exceção, eu e minha família fomos surpreendidos por uma operação de busca e apreensão e por uma exposição avassaladora à imprensa, ao que consta, orientada pelo ministro Alexandre de Moraes. Infelizmente, o magistrado embaralha os papéis de investigador, acusador, juiz e ofendido, em inquérito sigiloso atinente a pretenso vazamento de dados fiscais da sua mulher, a advogada Viviane de Moraes.

“É necessário refutar com veemência a imputação: as acusações descabidas veiculadas na imprensa, a partir dessa operação, não correspondem à realidade. Nunca atuei ou participei de qualquer organização voltada à obtenção de dados sigilosos.

“Além do constrangimento causado, foram apreendidos celulares e dispositivos eletrônicos pertencentes a familiares meus, a despeito de os mandados judiciais indicarem, como destinatário específico, apenas à minha pessoa.

“Os danos causados à minha reputação e à minha família são concretos e se refletem no campo profissional, econômico e pessoal. Não obstante os lamentáveis precedentes de arbítrio, em inquéritos secretos sob a relatoria desse ministro da Suprema Corte do Brasil, pretendo me defender em ambiente de direito à informação, à ampla defesa, a devido processo legal e à imparcialidade jurisdicional. Se me forem conferidos tais mínimos direitos individuais, será possível contribuir com a verdade.

Entenda o caso

A operação integra a investigação sobre vazamentos de dados de autoridades na Receita Federal. Faz parte do inquérito das fake news, aberto em 2019, que segue inconcluso e tramita em sigilo.

A decisão de Moraes de investigar o vazamento de dados foi divulgada com exclusividade pelo Poder360 em 13 de janeiro. O inquérito tem como pano de fundo uma apuração interna no STF sobre possível quebra de sigilo fiscal de ministros e familiares, atribuída à Receita Federal e ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Além das buscas, foram determinadas medidas cautelares, como monitoramento de alvos por tornozeleira eletrônica, afastamento do exercício de função pública, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país.

Conforme apurou o Poder360, Moraes determinou que Fisco e Coaf apresentassem explicações sobre quem acessou informações fiscais de magistrados e quando isso ocorreu. Foram determinadas medidas adicionais caso as respostas não sejam consideradas suficientes, como perícia em computadores usados para consulta dos dados e até quebra de sigilo telemático de autoridades.

Nas semanas anteriores à abertura do inquérito, dados pessoais de autoridades foram divulgados em reportagens de veículos de mídia. No caso de Moraes, foi citado o contrato do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, sua mulher, com o Banco Master, no valor total de R$ 131,3 milhões em 3 anos. Embora o contrato não contenha dados sigilosos, detalhes financeiros poderiam ter sido extraídos de bases acessíveis ao Coaf ou à Receita Federal.

No caso do ministro Dias Toffoli, informações sobre negócios da família envolveriam operações financeiras às quais, em regra, só se chega por meio de quebra de sigilo pela Receita Federal ou pelo Coaf.

O secretário do Fisco é Robinson Barreirinhas, subordinado ao ministro da Fazenda, que, à época dos vazamentos investigados, era Fernando Haddad. O Coaf é comandado por Ricardo Andrade Saadi, delegado da PF, ligado administrativamente ao Banco Central, presidido por Gabriel Galípolo.

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