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Na Alemanha, Lula diz que relação com Merz “não é ideológica”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)

Na abertura da Hannover Messe, neste domingo (20.abr.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demarcou o tom da relação com o chanceler alemão Friedrich Merz (UDC, direita). “Eu não estou numa relação ideológica, partidária. É uma relação de chefe de Estado”, declarou.

“A mim não importa quem é o primeiro-ministro de um país. A mim o que importa é o projeto de desenvolvimento que ele tem”, disse Lula no palco da maior feira industrial do mundo. 

A relação entre os 2 passou por uma tensão em novembro de 2025. Ao retornar da COP30 em Belém, Merz disse em discurso a varejistas alemães que todos ficaram “felizes por terem voltado para a Alemanha”. Ele usou a cidade paraense como contraponto para elogiar a infraestrutura do próprio país. Lula respondeu ao dizer que “Berlim não oferece 10% da qualidade” do Pará. 

Neste domingo, o petista optou por virar a página. Afirmou que o Brasil está “de braços abertos” para discutir qualquer tema com a Alemanha –inteligência artificial, data centers e minerais críticos– desde que a relação seja pautada por democracia e respeito à soberania de cada país.

“Não tem veto para discutir com a Alemanha”, declarou.

Sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), Lula criticou posturas unilaterais no cenário global. Ele afirmou que não é possível “permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que, por e-mail ou por Twitter, pode taxar produtos, punir países e fazer guerras”.

Segundo o petista, o foco deve estar na defesa da “integridade territorial e da soberania do povo de cada país”.

O pragmatismo serve a um objetivo. A expectativa do governo Lula é assinar 10 acordos bilaterais com os alemães nas áreas de defesa, inteligência artificial, bioeconomia e inovações energéticas.

Além disso, 1º de maio de 2026, a parte comercial do tratado Mercosul-UE entra em vigor de forma provisória. 

A fala de Hannover integra uma agenda europeia de 5 dias. O presidente viaja com 14 ministros e passou por Barcelona, onde cumpriu a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, antes de chegar à Alemanha. Na 3ª feira (21.abr.2026), o presidente segue para Lisboa.


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