O ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR), pré-candidato ao Senado, doou na 4ª feira (15.abr.2026) R$ 730 mil ao Hospital Erastinho, em Curitiba (PR). O valor corresponde ao excedente das doações arrecadadas para pagar a indenização por danos morais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O excedente é a quantia que sobrou após o pagamento integral da indenização. Segundo Dallagnol, as doações recebidas superaram o valor devido à Justiça, e a diferença —incluindo rendimentos de aplicação financeira— foi destinada ao hospital.
Em 2016, durante entrevista a jornalistas, o então procurador usou slides com círculos e nomes para afirmar que Lula chefiava um esquema criminoso. A imagem ganhou ampla repercussão na imprensa e nas redes sociais.
Em março de 2022, a 4ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), por 4 votos a 1, condenou Dallagnol ao pagamento de R$ 75.000 por danos morais. A decisão foi posteriormente mantida pelo Supremo Tribunal Federal. Com a incidência de juros, o valor final chegou a R$ 146 mil.
O ex-procurador disse que recebeu mais de 12.000 doações via Pix, com valores de R$ 5 a R$ 1.000. Após o trânsito em julgado e o pagamento da indenização, em dezembro de 2025, o montante restante —já corrigido e com rendimentos— totalizou R$ 730 mil. Ele afirmou também ter adicionado, do próprio bolso, R$ 5.000 ao valor.
“De todos os cantos do país, pessoas que eu não conhecia fizeram doações espontâneas. De R$ 5, R$ 10, R$ 50 para me ajudar a pagar a indenização. Os heróis são vocês que doaram. Mas eu quero ser o seu melhor soldado. E juntos nós seguiremos lutando por justiça e transformando o mal em bem”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.
Ao compartilhar o vídeo, Dallagnol disse ter “ganhado na loteria duas vezes”.
“Presenciei a generosidade de gente que eu nem conhecia”, afirmou.
Segundo ele, a 2ª “loteria” foi poder destinar o valor ao hospital. “Ganhei na loteria de novo ao perceber que ainda existem pessoas que reconhecem que não devemos nos deixar vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem”, declarou.
O ex-procurador afirmou ainda que os doadores são os “verdadeiros heróis” da iniciativa. “Essa ação deixou claro que eu não sou o herói dessa história. Os heróis são todos aqueles que doaram”, disse.
