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Quem é Daniel Monteiro, preso como “operador” de propina no BRB

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

Preso nesta 5ª feira (16.abr.2026), Daniel Lopes Monteiro atuava como “operador dos pagamentos”. Investigações recentes apontam Monteiro como peça central em um suposto esquema envolvendo o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) e estruturas financeiras associadas. Leia a íntegra da decisão (PDF – 900 KB).

Monteiro é advogado e empresário, com atuação nas áreas de direito societário, bancário e mercado de capitais, e recebeu o título honorífico de cidadão baiano em 2024. É formado em Direito pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e possui MBA em Finanças pela FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo).

Ao longo da carreira, se tornou sócio de diversas empresas e escritórios, com destaque para o Monteiro Rusu, também citado na decisão.

Segundo a biografia da Assembleia Legislativa da Bahia, participou de operações no setor empresarial, incluindo a aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e projetos ligados à rede Cesta do Povo e ao programa Credcesta.

PAPEL NO ESQUEMA

No documento, Daniel Monteiro é descrito como o operador técnico, jurídico e estrutural da engrenagem investigada. Ele teria atuado tanto na formalização documental de operações consideradas fraudulentas quanto na criação de um sistema paralelo de “compliance”, com ajustes em contratos e notificações que posteriormente apresentaram indícios de irregularidades identificadas pelo Banco Central.

De acordo com a decisão, sua atuação não se limitaria à assessoria jurídica. Investigadores afirmam que ele participava diretamente da estruturação das operações, com domínio sobre os fluxos financeiros e societários envolvidos.

O documento diz que mensagens interceptadas indicam que Monteiro acompanhava e coordenava etapas do esquema. Nos diálogos, detalha decisões operacionais, como a definição de diretores e a movimentação de recursos entre fundos e empresas, além de consultar outros investigados sobre a estrutura das operações.

OCULTAÇÃO PATRIMONIAL

A investigação também aponta que Monteiro teria arquitetado mecanismos para ocultar patrimônio atribuído ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Entre as estratégias descritas estão o uso de “laranjas”, incluindo a indicação de um cunhado como diretor de empresas de fachada, e a criação de estruturas societárias intermediárias, como fundos e empresas-veículo, para dificultar o rastreamento dos recursos.

Há ainda registros de que documentos relacionados à compra de imóveis teriam sido mantidos fora de cartórios, sob guarda do próprio advogado, como forma de evitar detecção por autoridades.

A investigação estima que o advogado tenha obtido benefício econômico de ao menos R$ 86,1 milhões. Em decisão judicial, sua conduta foi enquadrada, em análise preliminar, nos crimes de:

  • corrupção ativa;
  • lavagem de dinheiro;
  • organização criminosa;
  • gestão fraudulenta de instituição financeira.

PRISÃO PREVENTIVA

O ministro André Mendonça determinou a prisão preventiva de Daniel Monteiro. Na decisão, destacou que, apesar da profissão de advogado, há indícios de participação direta em práticas criminosas, e não apenas de atuação técnica de defesa.

Segundo o magistrado, a medida é necessária para garantir a ordem pública e econômica, preservar a instrução criminal, especialmente diante do risco de ocultação de documentos, e assegurar a aplicação da lei penal.

O OUTRO LADO

O Poder360 tentou entrar em contato com a defesa de Daniel Monteiro, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

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