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Pressionado, Alcolumbre oferece apoio a senadores após ameaça do STF

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

Senadores de diferentes partidos cobraram, nesta 4ª feira (15.abr.2026), uma reação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após declarações de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O episódio foi depois da apresentação do relatório final da CPI do Crime Organizado, em que Vieira pediu o indiciamento de 3 ministros da Corte, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, e do procurador geral da República, Paulo Gonet.

Em resposta, Alcolumbre afirmou que a Advocacia do Senado está à disposição dos parlamentares para adotar medidas jurídicas em defesa das prerrogativas da Casa. Segundo ele, o órgão poderá atuar para garantir a “legitimidade do voto popular” e a atuação dos senadores no exercício do mandato.

O relator da CPI, Vieira afirmou ter sido alvo de ameaças por parte dos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli após defender os indiciamentos. Segundo ele, as manifestações foram feitas enquanto o colegiado ainda analisava o relatório. “Estou sendo ameaçado e criminalizado por um voto”, disse, ao sustentar que exerceu sua “prerrogativa parlamentar” com base em “fatos comprovados”.

O senador classificou como “absurdo extremo” a possibilidade de sofrer sanções por sua atuação na tribuna e questionou qual será a postura do Senado diante do caso.

Vieira também afirmou que as declarações dos ministros extrapolam o direito de resposta. Para ele, há risco institucional quando integrantes da Corte ameaçam parlamentares no exercício do mandato.

“A pior ditadura possível é aquela contra a qual não cabe recurso, que é a da toga”, declarou. O senador ainda citou episódios que, segundo ele, justificariam questionamentos ao STF e defendeu que críticas à Corte fazem parte do debate democrático.

Cobranças dos senadores

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que há um “desequilíbrio entre os Poderes” e disse também ter sido alvo de ameaças no STF por uma publicação em rede social. Ele questionou a atuação do ministro Alexandre de Moraes e pediu atenção de Alcolumbre para preservar a “imunidade parlamentar” e a liberdade de expressão. “Só o Senado tem condições de restabelecer esse equilíbrio”, afirmou.

Na mesma linha, o senador Magno Malta (PL-ES) cobrou uma posição institucional da Casa. Ele pediu que Alcolumbre se manifeste junto ao presidente do STF, Edson Fachin, e aos ministros citados para que “respeitem o Senado” e os mandatos parlamentares.

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) afirmou que há uma escalada de tensão entre Congresso e Judiciário e pediu que o presidente do Senado atue para “encerrar esse conflito” e restabelecer a estabilidade institucional. Ele também criticou mudanças na composição de comissões e sugeriu interferência política no funcionamento de colegiados.

Já o senador Cleitinho (Republicanos-MG) defendeu medidas mais duras contra os ministros citados no relatório, incluindo a abertura de processos de impeachment. Ele criticou o arquivamento do parecer da CPI e afirmou que o Senado precisa “dar um recado” ao STF. Também declarou solidariedade a Vieira e disse que ministros “não estão acima da lei”.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) manifestou apoio ao relator da CPI e elogiou o trabalho conduzido por Vieira. Segundo ele, o relatório foi elaborado com independência, apesar de “boicotes” e dificuldades enfrentadas durante a investigação.

Por outro lado, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou discordar do conteúdo do relatório, mas saiu em defesa das prerrogativas parlamentares. Ele declarou que ministros do STF têm o direito de se manifestar, mas não de ameaçar senadores. “O que não podem é ameaçar senador da República no uso de suas atribuições”, disse, ao citar a inviolabilidade de opiniões, palavras e votos prevista na Constituição.

Gilmar Mendes acionou PGR

Ainda nesta 4ª feira (15.abr.2026), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes encaminhou uma representação à PGR (Procuradoria Geral da República) contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

O magistrado pede que o integrante do Senado Federal seja investigado por suposto abuso de autoridade. Leia na íntegra o ofício [PDF – 227 KB].

Gilmar Mendes argumenta que Alessandro Vieira cometeu “desvio de finalidade” ao atuar como relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado.

Uma eventual condenação pode tornar Vieira inelegível para as eleições de outubro.

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