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Gargalo na transição energética corta energia limpa, diz diretor da Atlas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)
Gargalo na transição energética corta energia limpa, diz diretor da Atlas

O avanço das fontes renováveis no Brasil, especialmente solar e eólica, tem colocado o país em posição de destaque na transição energética global. Mas, por trás do crescimento acelerado do setor, um problema técnico vem se tornando um dos principais entraves à expansão: o curtailment, termo usado para o corte da geração de energia quando há excesso de oferta em relação à demanda ou limitações na capacidade do sistema elétrico.

Em entrevista ao Poder360, Manoel de Andrade, vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Desenvolvimento da Atlas Renewable Energy, explica que o fenômeno ocorre quando o sistema elétrico precisa ser “equilibrado” e, para evitar instabilidades, parte da energia gerada precisa ser interrompida. 

“O sistema elétrico funciona mais ou menos como uma balança. Se eu tenho muita geração e pouca carga ele começa a se desequilibrar e aí é quando acontecem hoje os desarmes, os apagões, a queda do sistema”, afirma. Na prática, isso significa que, mesmo com alta produção de energia limpa, parte dessa geração deixa de ser aproveitada.

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Na imagem, o vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Desenvolvimento da Atlas Renewable Energy, Manoel de Andrade

Segundo Andrade, o problema não está apenas no crescimento das fontes renováveis, mas na forma como esse crescimento aconteceu. Em seu entendimento, a expansão acelerada de energia solar e eólica não foi acompanhada por regras e mecanismos capazes de garantir o equilíbrio do sistema. 

“Muito dessa expansão aconteceu sem um regramento, sem um requisito que pudesse permitir um equilíbrio de forma mais planejada”, avalia.

O impacto do curtailment vai além da parte técnica. Ele dificulta prever o cenário do setor e traz insegurança para os investimentos. Segundo Andrade, apesar de avanços recentes na regulação para reduzir o problema, as medidas ainda não são suficientes para resolvê-lo de forma definitiva.

A consequência, segundo ele, é um sistema que, apesar de abundante em recursos renováveis, ainda enfrenta gargalos de eficiência. Em determinados momentos do dia, especialmente em períodos de maior geração solar, o excesso de energia exige cortes para evitar sobrecarga, ao mesmo tempo em que o país recorre a fontes mais caras e poluentes em horários de pico de demanda.

Como alternativa, o setor aponta a necessidade de modernização regulatória e tecnológica. Entre as soluções citadas estão a criação de regras mais claras para o rateio dos cortes de geração e a inserção de sistemas de armazenamento, como baterias, capazes de guardar energia nos momentos de excesso e liberá-la quando há maior consumo. 

“Com o uso dessa tecnologia, a gente pode armazenar energia quando há excesso de geração e utilizar essa energia quando há uma maior necessidade da carga”, afirma.

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