Os EUA reabriram, em 30 de março, a embaixada na Venezuela, mas a representação em Caracas segue sob o comando da encarregada de negócios Laura Dogu, já que não há um embaixador nomeado. Com a retomada, Washington passa a contar com 184 missões diplomáticas no exterior, embora permaneça sem embaixadores —que são os representantes de mais alto nível— em ao menos 108 delas, incluindo no Brasil.
Brasília não tem um embaixador dos Estados Unidos desde o início do 2º mandato do presidente Donald Trump (Partido Republicano), em janeiro de 2025. A última representante de alto nível foi Elizabeth Frawley Bagley –que deixou o país antes do fim do governo do ex-presidente Joe Biden (Partido Democrata).
Os embaixadores são a principal autoridade das representações diplomáticas. Na ausência deles, a chefia fica a cargo de encarregados de negócios. Este é o caso do Brasil, onde a missão norte-americana é liderada pelo diplomata Gabriel Escobar. Dos 12 países independentes da América do Sul, apenas 5 contam com estes representantes.
Washington só não tem relações diplomáticas formais com 3 países: Butão, Coreia do Norte e Irã –que está em guerra com os Estados Unidos. Atualmente, o contato governamental com Teerã, que é mínimo, é mediado por meio da embaixada da Suíça.

Ao Poder360, o diplomata , ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington, opinou que a principal diferença entre os cargos são as condições de acesso e de representatividade. Apesar de os países sem embaixador disporem de um corpo diplomático e de funcionários nas embaixadas, há mudanças relevantes na relação com o governo do país no qual o representante está acreditado, de acordo com seu cargo oficial.
“O embaixador tem pleno acesso às autoridades, desde o presidente da República a qualquer outro funcionário do governo onde ele está acreditado. O encarregado de negócios não conseguirá esse acesso pleno às autoridades. Ele será recebido em nível menor”, afirmou em entrevista ao jornal digital.
Segundo Barbosa, a ausência da indicação em um embaixador por um longo período de tempo ultrapassa a questão burocrática: é um sinal de entraves políticos, diplomáticos ou de problemas econômicos. Para ele, é improvável que Washington nomeie um diplomata para o cargo antes do final do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“No caso do Brasil, claramente há um problema político, ideológico, pelo fato de o governo americano não ter designado nenhum embaixador aqui no Brasil. Esse é um problema sério”, explicou.
É o mesmo caso com o governo do Brasil em relação à Israel. Em maio de 2024, Lula removeu o embaixador Frederico Meyer do posto em Tel Aviv.
“Mostra um descontentamento, mostra uma restrição do governo brasileiro ao governo de Israel. A mesma coisa acontece com o governo americano. Há restrições, talvez ideológicas, políticas, contra o governo brasileiro”, disse Barbosa.
APROVAÇÃO DE EMBAIXADORES NOS EUA
O processo para a nomeação de um embaixador dos Estados Unidos é dividido em etapas, começando pela indicação da Casa Branca. Antes do anúncio, a Presidência dos EUA analisa as qualificações, as finanças, a carreira e a vida pessoal do candidato. O governo norte-americano também consulta o país receptor para obter o “agrément” (concordância).
A Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA realiza entrevistas em reuniões privadas com o candidato e audiências públicas. Caso o nome seja aprovado pelo colegiado, a indicação segue para análise do plenário, composto pelos 100 senadores. Para ser confirmado, o nomeado precisa da aprovação dos congressistas, ou seja, ao menos 51 votos.
O Senado pode votar uma moção de “cloture” (encerramento) para encerrar o debate e forçar a decisão final, o que exige 60 votos. Se a sessão legislativa terminar sem uma votação, a indicação é devolvida ao presidente norte-americano. Neste caso, o mandatário deve renomear o candidato no ano seguinte para reiniciar o processo. Enquanto a votação está pendente, o país de destino permanece sem um embaixador oficial.
Depois da confirmação legislativa, o embaixador é formalmente nomeado pelo presidente e presta juramento à Constituição. Ao chegar ao país anfitrião, ele apresenta as credenciais ao chefe de Estado em cerimônia formal para ser oficialmente reconhecido como representante diplomático e iniciar os trabalhos na embaixada.

