O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu espaço na agenda na reta final da campanha para atender a um pedido do clã Calheiros e desembarcar em Maceió nesta quinta-feira (24/9).
A visita tem dois objetivos principais: reforçar a candidatura de Renan Filho (MDB) ao governo de Alagoas e pedir votos para a reeleição do senador Renan Calheiros (MDB), aliado de Lula há décadas. Os dois enfrentam disputas apertadas no estado.
Na corrida pelo governo, Renan Filho tenta reduzir a vantagem de JHC (PSDB). Pesquisa do Instituto Paraná divulgada na segunda-feira (21/9) mostrou o ex-prefeito de Maceió com 48,6% das intenções de voto, contra 41,6% do ex-ministro. O levantamento ouviu 1,4 mil eleitores entre 18 e 20 de setembro e tem margem de erro de 2,7 pontos percentuais.
Nos bastidores, porém, integrantes da campanha de Renan Filho afirmam que trackings internos mais recentes já apontam crescimento do emedebista e um cenário de empate técnico. A aposta do grupo é que a presença de Lula ajude o ex-ministro a avançar sobre JHC nos últimos dias antes do primeiro turno.
O entorno de Renan Filho também espera um discurso mais duro de Lula contra o adversário. Aliados dos Calheiros consideram que JHC rompeu um acordo político costurado anteriormente em Brasília.
O acordo previa que JHC não disputaria o governo estadual depois de Lula indicar a tia do então prefeito, Maria Marluce Caldas Bezerra, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
À época da indicação, em 2025, a movimentação foi tratada nos bastidores como parte das articulações para a sucessão estadual de 2026. Marluce teve a indicação aprovada pelo Senado em agosto de 2025.
Disputa apertada pelo Senado
A presença de Lula também é considerada importante pelos Calheiros para a eleição ao Senado. Em Alagoas, os eleitores escolherão dois senadores em outubro, e as pesquisas mostram uma disputa embolada pelas vagas.
Levantamento RealTime Big Data divulgado em 15 de setembro apontou Renan Calheiros com 22%, Marina JHC (PSDB) com 21% e Arthur Lira (PP) com 19%. Os três estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Davi Davino Filho (Republicanos) aparecia na sequência, com 17%.
A Paraná Pesquisas, divulgada dias depois, também mostrou uma disputa apertada: Lira apareceu com 41,2%, Marina JHC com 37,8% (ele estão empatados dentro da margem de erro, que é de 2,7 p.p.) e Renan Calheiros com 34,6% (que empata com Marina).
Aliados dos Calheiros trabalham com a possibilidade de Marina conquistar uma das duas cadeiras e avaliam que a outra pode ficar entre Renan e Lira. Por isso, esperam que Lula faça um pedido explícito de votos para o senador durante o ato em Maceió.
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Ao mesmo tempo, integrantes da campanha presidencial defendem cautela no discurso. Embora Lula seja aliado histórico de Renan, há uma preocupação em não fechar as portas para uma aproximação com Lira em um eventual segundo turno da eleição presidencial.
A dúvida é até onde Lula seguirá esse roteiro no palanque.
No Piauí, a expectativa também era de que o presidente evitasse um confronto direto com Ciro Nogueira (PP), que disputa a reeleição ao Senado. No comício em Teresina, porém, Lula fez um pedido enfático de votos em Júlio César (PSD) e Marcelo Castro (MDB) e, em uma indireta ao presidente do PP, usou o termo “vira-lata”.
Desafio em Maceió
Além de tentar impulsionar seus aliados locais, Lula fará campanha em uma capital eleitoralmente mais difícil para o PT.
Em 2022, Maceió foi a única capital do Nordeste em que Jair Bolsonaro (PL) venceu Lula no segundo turno da eleição presidencial. Bolsonaro recebeu 57,18% dos votos válidos na cidade, contra 42,82% do petista.
Lideranças políticas de Alagoas ouvidas pela reportagem avaliam que a capital mantém um eleitorado mais conservador e projetam vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula em Maceió neste primeiro turno. A avaliação é de que candidatos identificados com a direita encontram maior espaço na capital do que no restante do estado.
No conjunto de Alagoas, porém, o cenário é diferente. Pesquisa RealTime Big Data divulgada em setembro mostrou Lula com 55% e Flávio Bolsonaro com 37% no estado.
É nesse cenário que Lula chega a Maceió: tentando transformar sua vantagem estadual em votos para os Calheiros, ao mesmo tempo em que precisa administrar a relação com outros grupos políticos alagoanos que podem ser importantes para sua própria campanha.

