Uma organização que atua para reverter condenações injustas de pessoas inocentes foi a principal inspiração de Habeas Corpus, primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix. Para interpretar personagens inseridas nesse universo, as atrizes Marjorie Estiano e Any Gabrielly tiveram contato com integrantes do Innocence Project Brasil e precisaram mergulhar no vocabulário e na rotina do Direito.
Em entrevista ao Metrópoles, as protagonistas contaram como foi a preparação para a série e o que descobriram sobre a advocacia durante o processo.
“Eu já admirava muito a profissão. Em algum momento da minha vida, eu delirei e achei que eu podia ser advogada. Eu achava o máximo, mas não tinha uma referência de verdade”, brincou a ex-integrante do Now United. “Foi uma surpresa enorme ter acesso a essas pessoas [do Innocence Project], porque o que eu imaginava, na minha cabeça, é que você é advogado, você é o máximo, usa terno… Mas é muito diferente e é muito complexo o sistema”, admitiu.
Marjorie, por sua vez, contou que chegou ao projeto com referências sobre justiça, mas não necessariamente sobre o funcionamento do sistema jurídico. “Eu sou muito grata porque trazer a política pública e a cidadania para dentro do entretenimento é um serviço que eu me orgulho muito, do qual eu me sirvo tanto quanto eu ofereço”, afirmou.
Para a atriz, Habeas Corpus consegue apresentar diferentes perspectivas sobre a Justiça e mostrar o impacto que as decisões tomadas nesse sistema têm na vida das pessoas, especialmente das mais vulneráveis.






Marjorie Estiano interpreta Inês, uma renomada professora de Direito e ex-advogada criminalista em Habeas Corpus
Divulgação/ NetflixAny Gabrielly interpreta Marina, uma das estudantes de Inês em Habeas Corpus
Divulgação/ NetflixFazem parte do elenco de Habeas Corpus Nicolas Lee, Felipe Ricca, Pedro Souza e Luiza Gabus Mendes
Divulgação/ NetflixDanton Mello, Vladimir Britcha e Natália Lage também integram elenco de Habeas Corpus
Divulgação/ NetflixMarisa Orth participa da série Habeas Corpus
Divulgação/ NetflixMarjorie Estiano fala sobre construção de personagem
Nascida em Curitiba, Marjorie explicou que costuma partir de suas próprias experiências e perspectivas para construir um personagem. Em Habeas Corpus, esse processo também foi aplicado a Inês, professora interpretada por ela na produção.
“A gente é um conjunto de escolhas, uma perspectiva, um pensamento sobre a vida, sobre como se relacionar com as pessoas, com a nossa família e com o nosso trabalho. O roteiro traz muito essa personalidade […] O que acontece no caminho, acaba mudando o fim. É sempre um aprendizado imenso conhecer alguém e construir um arco. A minha profissão me oferece esse privilégio que é pensar e refletir sobre as minhas relações humanas, de uma maneira geral, e trazer a oportunidade de praticar isso na minha vida”, falou.
Any Gabrielly vive personagem mais madura
Conhecida principalmente por trabalhos voltados ao público infantil, como a dublagem de Moana, Any Gabrielly também falou sobre a transição para personagens mais maduras. Em Habeas Corpus, ela interpreta Marina, uma das estudantes de Direito.
“É o curso natural das coisas. Eu naturalmente fazia papéis representando pessoas mais jovens, porque eu era mais jovem. Então, estar no mercado com 12, 13, 15, 8 anos te traz isso, e agora eu tenho 23. Então, isso naturalmente me trouxe personagens que estão mais próximos de mim”, avaliou.
Apesar de encarar a mudança como algo natural, Any reconhece que parte do público ainda se surpreende ao vê-la em papéis adultos. “Essa coisa da maturidade não veio como um susto, ela foi natural, e eu acho que é engraçado acompanhar o público se dando conta disso, porque eu sei que eu fiquei mais velha, eu sei que eu não tenho mais 15 anos, mas as pessoas são apegadas aos projetos antigos”, disse.
“A ficção bebe da realidade”
Durante a preparação, Marjorie e Any também evitaram assistir a outras séries jurídicas para não criar referências externas para os personagens. Para Marjorie, o contato com a realidade foi justamente o que tornou a experiência mais rica.
“A realidade é sempre muito mais inspiradora do que qualquer ficção”, afirmou a atriz ao Metrópoles. Para ela, “a ficção bebe na realidade, então ela vai sempre passar pela realidade na criação”.

