Diálogos interceptados pela Polícia Federal mostram que o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, já suspeitava de “rolo” envolvendo o socorro do Banco de Brasília (BRB) ao Banco Master.
Em 6 de outubro de 2025, Augusto Lima afirmou à mulher, a ex-deputada federal Flávia Peres, que o Master não tinha condições de resistir por muito tempo. Naquela ocasião, ele já tinha se afastado da sociedade com Daniel Vorcaro e comprado o Banco Pleno.

“Até o final da semana vence 100 mm [milhões]. É brincadeira? Não tem a menor condição de ficar de pé”, escreveu o investigado. Em seguida, Augusto Lima diz: “Isso aqui virou cidade fantasma. Garagem vazia”.
Naquela mesma data, havia sido divulgado que o Master teria honrado cerca de R$ 200 milhões em CDBs que viriam a vencer.
Surpresa com a manutenção dos pagamentos, Flávia questionou diretamente o marido sobre a origem dos recursos: “E como pagou isso hoje?”. A resposta de Augusto Lima foi direta: “BRB. Nem me pergunte como”.
Incrédula, a esposa reage com surpresa: “Mentiraaaaaaa”. Augusto confirma: “Verdade”. Flávia então pontua que havia negociações profundas nos bastidores: “Tem coisa aí mesmo viu. Eles estão muito mais ligados do que qualquer um pode imaginar”. O investigado concorda: “Bote coisa nisso. Exatamente isso”.
Na sequência, Flávia diz: “A hora que isso vazar. Pq a imprensa vai querer saber quem pagou”. Augusto Lima, então, responde: “Ele fez algum rolo e o Brb deu o crédito.”
Em um outro diálogo, registrado no dia 14 de novembro de 2025, Augusto Lima comenta com a esposa que recusou um pedido de ajuda do diretor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, para salvar o Banco Master.

Paulo Sérgio havia entrado em contato com Augusto Lima para saber se ele teria “algum caixa para comprar consignado credcesta do Master”, uma vez que o banco estaria precisando de R$ 100 milhões.
“Impressionante o BC estar se metendo nisso pro master não quebrar. Principalmente o Paulo que tá enrolado nisso até o pescoço”, diz Flávia.
Quatro dias depois, em 14 de novembro, o Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
Em nota, a defesa de Augusto Lima informou que os diálogos privados mencionados apenas confirmam que ele estava totalmente afastado das operações do Banco Master e que não tinha conhecimento das tratativas com o BRB.
“As autoridades tinham plena ciência, inclusive por documentação do Banco Central, de que Augusto Lima deixou o Banco Master em maio de 2024. No período das mensagens, já se dedicava à condução do Banco Pleno, cuja operação havia sido autorizada pelo próprio Banco Central em agosto de 2025”.
A defesa ressaltou ainda que as conversas limitam-se a comentários privados sobre o noticiário e o cenário daquele período. “Revelam ainda que Augusto Lima, mesmo instado pelo Banco Central, não se dispôs a ajudar o Banco Master”.
“A defesa rechaça de forma veemente a tentativa de ilação com qualquer ilícito praticado e reitera que Augusto Lima permanece à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários, confiante de que, ao final das investigações, sua inocência será plenamente comprovada”, finaliza.

