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Ex-presidente ordenou que BRB aceitasse fundos problemáticos do Master

Radar Olhar Aguçado(há 25 minutos)
Ex-presidente ordenou que BRB aceitasse fundos problemáticos do Master

Conversas interceptadas pela Polícia Federal mostram o então presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, determinando que BRB “pegasse” com urgência R$ 2,9 bilhões em ativos que depois se mostraram problemáticos, oferecidos pelo Banco Master.

Pega tudo isso em garantia. Depois a gente vê o que faz. O que fica e o que não fica“, escreveu ele ao então diretor executivo de Finanças e Controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior, em 8 de setembro de 2025, cinco dias depois de o Banco Central reprovar a compra do Master pelo BRB.

A justificativa para tamanha pressa era que a instituição de Daniel Vorcaro respirava por aparelhos. “Eles podem morrer a qualquer momento. Não deixe nada disso para depois“, cobrou o presidente antes de se acalmar com a informação de que o Banco Central daria mais 30 dias de “prazo” para o Master.

Naquele momento, o BRB já havia comprado mais de R$ 20 bilhões em carteiras podres do Banco Master e precisava substituí-las por ativos de melhor qualidade para não morrer junto com o parceiro.

Uma lista encaminhada a Paulo Henrique Costa incluía ações da Alliança Saúde (que seria adquirida por R$ 300 milhões) e da Ligga (R$ 800 milhões), cotas de um empreendimento em São Paulo (R$ 457 milhões) e sociedade na Steelcorp (R$ 500 milhões), no hotel Rosewood (R$ 500 milhões) e na Alife Nino (R$ 458 milhões).

Dias depois, o próprio presidente do BRB escreveu, à mão, sua “Estratégia de Mitigação de Risco Master”, com descontos. A empresa de food service Alife Nino, por exemplo, sairia por R$ 300 milhões. A Steelcorp, por R$ 250 milhões. “Se eles toparem, minha proposta é aceitar logo isso para baixar as pendências”, disse Costa ao diretor de controladoria do BRB.

O banco acabou pagando R$ 350 milhões por cada um – a coluna Demétrio Vecchioli revelou em detalhes, em abril, o que são esses ativos.

A sequência de diálogos mostra que primeiro o BRB formalizava o negócio e só depois ia analisar o que havia comprado. Uma lista de “pendências” enviada por Dario a Paulo Henrique, em 12 de novembro, comprova isso.

Ela cita que dois fundos negociados, o Yvrac e o Bouliac, tinham cártulas do BESC, certificados físicos de ações de um banco que foi extinto e incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Na prática, são papeis que não valem nada e eram usados pelo Master para inflar o valor de fundos.

O BRB também comprou as ações de outro fundo, ligado ao hotel Rosewood São Paulo, sem qualquer comprovante de que o Master era o detentor das cotas vendidas. Todos os nove fundos adquiridos tinham pendências de documentos para “valuation”. Ou seja: o BRB não saiba quanto eles valiam.

No caso de um terreno em Contagem (MG), o Banco de Brasília pagou o quíntuplo do que ele valia. De acordo com Dario, o imóvel “estava” por R$ 301 milhões e “caiu” para R$ 62 milhões. Paulo Henrique justificou: “Provavelmente há diferença de metodologia. Eles devem estar considerando o valor do terreno desenvolvido e, nós, a terra crua”.

Documentos obtidos pela coluna mostram que o terreno não só era “terra crua”, como tem lateral para uma curva da linha do trem (que exige recuo de 15m) e uma frente estreita para a rua. O laudo contratado pelo Master calculou que aquele terreno tinha o metro quadrado quatro vezes maior de que outra “terra crua” em Contagem e mais caro até do que um lote pequeno, de esquina, em região nobre de Belo Horizonte.

A troca de mensagens entre Paulo Henrique e Dario mostra que o presidente do banco buscava uma solução para tapar esse buraco com outros terrenos oferecidos pelo Master. Quatro deles foram também avaliados pelo BRB, que concluiu que o que o Master oferecia a R$ 280 milhões na verdade valia só R$ 32 milhões.

No mesmo dia, 13 de novembro, o presidente do BRB cobrou o diretor sobre a conclusão da análise de uma carteira de crédito já adquirida. Em resposta, recebeu uma tabela mostrando que a base original da carteira (o valor supostamente devido pelos tomados de empréstimos) era de R$ 4 bilhões, mas eliminando clientes com score de crédito abaixo de 700 pontos e os que estão negativados no Serasa só sobravam R$ 17 milhões.

Paulo Henrique dá a solução: baixar a régua. “Precisamos avaliar se esse score não está muito duro. Poderíamos fazer um filtro dos melhores e aplicar um enorme deságio”, sugeriu.

Para a PF “isso demonstra que o BRB não acredita na carteira entregue pelo Master e está tentando reconstruir do zero se aquilo é realmente um ativo bancário“.

“Isso não é procedimento normal, é sintoma de operação contaminada”, escreveu o agente da polícia federal responsável pelo relatório.

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