Últimas

Após expor criança trans em escola, vereador vira alvo de ação do MPSP

Radar Olhar Aguçado(há 30 minutos)
Após expor criança trans em escola, vereador vira alvo de ação do MPSP

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou uma ação civil pública contra o vereador e candidato a deputado estadual Isaac Dalcol Antunes (PL) pela exposição de uma criança trans, de 11 anos, que utilizava o banheiro feminino de uma escola pública de Ribeirão Preto, no interior do estado.

De acordo com o inquérito, Antunes e o 1º suplente Hagara Espresola Ramos, conhecido como “Hagara do Pão de Queijo”, visitaram a Escola Municipal Anísio Teixeira nos dias 20 e 26 de março após tomarem conhecimento de que havia uma estudante trans no quadro de alunos.

Na primeira visita à unidade, Hagara teria passado a questionar a diretora da escola “qual era o banheiro que o menino que se fantasiava de menina estava usando”. Somado a isso, segundo a Promotoria, na presença de servidores e estudantes, o 1º suplente também passou a indagar aos coordenadores da escola “qual era o órgão genital do aluno”.

O MPSP diz que a intenção de Hagara com a situação era “ganhar notoriedade”, já que a gravação foi publicada por ele em uma rede social enquanto anunciava a pré-candidatura a deputado federal.

“Por ter atingido mais de um milhão de compartilhamentos os vídeos postados na rede mundial de computadores, Hagara encaminhou à Diretora da Escola uma espiga de milho embalada num papel “de presente”, como estivesse lhe agradecendo pela marca alcançada propiciada no ambiente escolar e potencializadas pelas publicações feitas nas redes sociais, tendo assim em cima da triste ocorrência, o candidato faturado politicamente”, acrescentou o promotor Moacir Tonani Junior.

Após o ocorrido, Hagara Espressola Ramos foi impedido pela Justiça de ingressar em escolas para gravar novas filmagens e entrevistas que expusessem crianças e adolescentes a situações vexatórias. A liminar foi concedida após uma ação movida pelo Município de Ribeirão Preto.

Depois da repercussão dos vídeos publicados pelo 1º suplente, o vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, Isaac Antunes (PL) seguiu os mesmos passos. O Ministério Público de São Paulo diz que Antunes também tinha como propósito “faturar politicamente em cima dos fatos a fim de angariar eleitores”, já que era pré-candidato a deputado estadual.

No dia 26 de março, o parlamentar também esteve na unidade de ensino, ocasião em que se deparou com estudantes que faziam cartazes de apoio à colega trans. Os cartazes continham mensagens como “seja quem você é, ame quem você quiser”, “ninguém deveria ter medo de ver como você é”.

Segundo o inquérito, Antunes foi informado pelos alunos de que faziam aquilo por “vontade própria”, ao que ele passou a responder com: “vocês não sabem sequer fazer o ‘O’ com o copo”, bem como “que deveriam tão somente estudar”.

A Promotoria concluiu que, com as condutas, o 1º suplente e o vereador conseguiram transformar o ambiente da escola em um espaço de “perseguição e de discriminação”, já que, após o ocorrido, não só a aluna trans teria passado a ser perseguida, como alunos homossexuais, criando uma polarização que antes não existia, como havia informado a coordenação.

Também de acordo com o documento, a criança não mais quis retornar à escola depois dos episódios, e passou a se isolar. Os casos de agressão também aumentaram.

Na ação civil pública, o MPSP pede a retirada das publicações das redes sociais e que Isaac Antunes se abstenha de divulgar outros conteúdos discriminatórios. Também requer que o vereador pague R$ 500 mil de indenização por danos morais coletivos, valor que deverá ser destinado ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente.

O Metrópoles procurou o parlamentar para pedir um posicionamento, mas não obteve retorno até o momento de publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.

Após expor criança trans em escola, vereador vira alvo de ação do MPSP — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado