Belo Horizonte — Um ciclista se equilibra sobre uma estrutura de menos de um metro de largura, a 14 metros de altura, enquanto atravessa, sobre uma roda, o arco de um dos cartões-postais de Belo Horizonte: o Viaduto Santa Tereza. Em outro momento, salta de um poste para outro em um posto de gasolina às margens da BR-040, equilibrando-se apenas sobre a roda traseira.
Trata-se de Diego Magno, de 35 anos, nascido em Poços de Caldas, no Sul de Minas, e morador de BH há três anos. Nas redes sociais, ele se apresenta como atleta profissional de bike trial, oito vezes campeão brasileiro e campeão sul-americano na categoria Elite.
Um dos últimos vídeos virais gravados em Minas — já que muitos outros foram feitos em cartões-postais pelo Brasil e pelo mundo — foi registrado no ano passado, no Posto do Chefão, em Nova Lima, na Grande BH, uma famosa parada às margens da BR-040.
Nas imagens, o Magno salta de um poste de proteção para outro, mantendo a bicicleta praticamente na vertical e se equilibrando apenas sobre a roda traseira. A cada salto, ele aterrissa com a roda no topo estreito do poste.
Um dos vídeos mais impressionantes, gravado no arco do Viaduto Santa Tereza, é de 2022, mas volta a viralizar de tempos em tempos. “Depois do café da manhã, um passeio de bike”, escreveu na legenda do vídeo em que aparece atravessando o arco do viaduto, inaugurado em 1929 e que liga o Centro à Região Leste da capital.
Vida marcada por treinos
Diego conta que pratica bike trial há cerca de 25 anos e começou ainda criança. “A partir dos 14, 15 anos, comecei a competir, peguei o gosto pelo esporte e, hoje em dia, sou o único piloto representando o Brasil no Campeonato Mundial, na categoria Elite”, disse ao Metrópoles, nesta segunda-feira (21/9). Formado em engenharia civil, Diego atualmente vive do esporte, participando de competições.
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O atleta afirma que o vídeo foi gravado em 2022 e que fez a travessia apenas uma vez. Segundo ele, a manobra exigiu preparação física e mental.
“É um negócio muito perigoso. Você tem que ter um baita preparo mental e físico para conseguir executar, principalmente a manobra que fiz lá em cima. A bike também tem que estar muito bem regulada, tudo bem alinhado, para não acontecer nada de errado. É um baita preparo. Lógico que tem o risco, mas eu treino no meu dia a dia”, afirmou.
Diego conta que treina seis vezes por semana e está acostumado a se equilibrar em superfícies ainda mais estreitas. “Todo dia eu treino em um lugar muito mais fino do que a ponte. Lógico que não tem a altura da ponte, mas, em relação à largura, estou bem acostumado a treinar com dois, três centímetros. Então, o equilíbrio está muito em dia”, contou.
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A escolha do lugar
A ideia de atravessar o arco surgiu quando Diego procurava um lugar diferente para gravar. Na época, ele ainda não morava em BH recebeu de um amigo uma foto do Viaduto Santa Tereza. “Um amigo meu daqui me mandou a foto do arco e falou: ‘Cara, será que você consegue passar lá? Nunca ninguém fez’”
Antes da travessia, Diego foi ao local para analisar a estrutura e planejar: “Eu olhei um dia antes, analisei, medi, pensei o que ia fazer, como ia fazer e como a gente ia gravar. Dormi mais cedo, mentalizando, pensando em cada passo, cada pedalada, cada posição de freio que eu teria que fazer para conseguir executar de forma perfeita”, contou.
Os arcos e a história
Diego está longe de ser o primeiro a se arriscar. A travessia dos arcos tem ligação com a história e a literatura: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino e Hélio Pellegrino estão entre os escritores que se aventuraram por ali, fazendo da travessia uma espécie de rito de passagem.
Em 1962, Carlos Drummond de Andrade escreveu sobre o viaduto no livro A Bolsa e a Vida. Ao lembrar de BH e dos lugares de onde gostava de observar a cidade, o poeta destacou o arco:
“O melhor ponto para contemplar-te será o terraço de um edifício da Avenida Afonso Pena? A praça do Cruzeiro, o alto da serra do Curral? Prefiro o arco modesto do viaduto, miradouro da memória, onde tentei às vezes restaurar o romantismo, para consumo próprio e desprazer da polícia.”
No caso de Diego, porém, a concentração necessária para fazer a travessia de bike não deixou espaço para admirar a paisagem. “Te confesso sinceramente que eu nem contemplei a vista de lá. Fiquei tão focado no que estava fazendo, na bike, no pedal, para não escapar o pé e conseguir frear na posição certa, que não dava para ter nenhum problema.”
Depois, com as imagens feitas por drone, ele conseguiu ter outra perspectiva do local. “Com o drone, dá para ver que é um lugar muito lindo. O Centro de BH ali é lindo demais. Fiquei muito contente e feliz de ter conseguido fazer essa manobra e esse vídeo. Eu tinha o sonho de fazer isso em uma estrutura alta e bonita. Foi muito especial”, contou.
Perigo
Nos comentários do vídeo, internautas questionaram os riscos da manobra. “Acho uma irresponsabilidade gigante por dois motivos: primeiro, ele coloca a própria vida em risco e, segundo, incentiva a juventude a fazer o mesmo. Este viaduto é aberto dia e noite, e subir neste arco é muito fácil e perigoso”, escreveu uma pessoa.
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O atleta rebateu as críticas de que a travessia seria uma imprudência e poderia incentivar outras pessoas a repetir a manobra. Ele reforçou que chegou a esse nível depois de anos de treinamento.
“Eu tenho 35 anos hoje e nunca me arrisquei a fazer um negócio desse quando estava começando no esporte. Comecei em banco de praça, em meio-fio, todo obstáculo bem baixo, sem muito perigo, sem muito risco. Hoje, depois de anos e anos de preparação e treino, consigo fazer um vídeo desse. São poucos atletas no mundo que fazem essa manobra numa altura dessa”, afirmou.

