Belo Horizonte – A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu temporariamente os testes de controle de velocidade média em rodovias federais concedidas. A medida foi adotada para permitir análises e ajustes técnicos, procedimentais e operacionais relacionados à sinalização e à comunicação com os usuários.
Em Minas Gerais, os testes estavam autorizados em trechos das rodovias BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116. Segundo a ANTT, nenhum motorista foi autuado, multado ou penalizado com base no sistema durante a fase experimental.
Desde o início do projeto, os atos que autorizaram os testes determinaram que os dados registrados não poderiam ser utilizados para aplicação de penalidades aos motoristas.
Como funciona o radar de velocidade média
Diferentemente dos radares convencionais, que verificam a velocidade de um veículo em um ponto específico da rodovia, o sistema de velocidade média utiliza dois ou mais pontos de monitoramento.
A tecnologia registra a passagem do veículo nos pontos determinados e calcula quanto tempo o motorista levou para percorrer a distância entre eles. A partir dessas informações, é possível calcular a velocidade média no trecho.
Durante a fase experimental, porém, esse resultado não pode gerar multa ou registro de infração de trânsito.
A iniciativa faz parte dos esforços da ANTT para avaliar tecnologias voltadas à segurança viária. A agência afirma que realizará ajustes antes de definir os próximos passos do projeto.
Testes em Minas Gerais
Em Minas, uma experiência com o sistema ocorre na BR-050, em um trecho de aproximadamente 11 quilômetros em Uberaba, no Triângulo Mineiro. O monitoramento é realizado pela concessionária Ecovias Minas Goiás em caráter educativo, sem aplicação de multas.

Segundo a EcoRodovias, o sistema de monitoramento por velocidade média é utilizado no trecho desde 2022. A concessionária considera a tecnologia uma estratégia com potencial para contribuir com a segurança viária, ao estimular os motoristas a manterem um comportamento mais adequado durante o percurso.
Dados apresentados pela empresa apontam que, na comparação entre os primeiros semestres de 2022 e 2026, os acidentes com feridos no trecho caíram 35%. No mesmo período, a concessionária informou que as mortes foram reduzidas em 100%, sem registro de óbitos no primeiro semestre de 2026.
A empresa ressalta, entretanto, que os resultados observados estão relacionados ao conjunto de ações realizadas no trecho, incluindo iniciativas educativas e operações em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
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Outros estados também tinham testes autorizados
Além de Minas Gerais, o projeto-piloto da ANTT estava autorizado em trechos de rodovias de outros sete estados.
Os locais incluíam trechos da BR-101, no Espírito Santo; BR-414, em Goiás; BR-163, em Mato Grosso do Sul; rodovias federais e estaduais no Paraná; BR-101 e BR-116, no Rio de Janeiro; BR-386, no Rio Grande do Sul; e BR-101, em Santa Catarina.
A previsão inicial era de que os testes tivessem duração de 180 dias, período que poderia ser prorrogado. Com a suspensão, a ANTT informou que realizará os aprimoramentos técnicos, procedimentais e operacionais antes de anunciar as próximas etapas do projeto.
A agência reforçou que a experiência tem caráter técnico, educativo e experimental e que, nesta etapa, a velocidade média registrada não poderia, por si só, resultar em autuação ou penalidade.

