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“Faz sem ela saber”; Raquel Lyra orienta laqueadura sem aval de mulher

Radar Olhar Aguçado(há 24 minutos)
“Faz sem ela saber”; Raquel Lyra orienta laqueadura sem aval de mulher

Um vídeo gravado em 2025 durante a inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns (PE), mostra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) sugerindo que uma paciente seja submetida a uma laqueadura sem saber do procedimento. A coluna teve acesso ao vídeo.

“Mas faz sem ela saber! Vai!”, diz Raquel, após ouvir de uma mulher que aparenta ser funcionária do hospital o relato sobre uma paciente que estaria novamente grávida e já teria sete filhos.

Procurada, a governadora admiteu ter feito o comentário (leia abaixo).

A laqueadura é um método contraceptivo de esterilização feminina considerado definitivo e de difícil reversão. E realizá-la sem o consentimento da mulher é crime, de acordo com a Lei 9.263/1996 (Lei do Planejamento Familiar).

A gravação, de cerca de 13 segundos, foi feita durante a inauguração da ala pediátrica do Dom Moura, em maio de 2025. Raquel aparece em pé dentro de uma sala do hospital, de blusa verde-clara, conversando com funcionários e integrantes de sua comitiva pouco antes de posar para uma foto.

Ao redor da governadora estão pelo menos três pessoas: duas mulheres e um homem de óculos. Uma das mulheres gesticula com as mãos ao falar sobre o tamanho da barriga da paciente. A gestante mencionada na conversa não aparece nas imagens.

— Chega assim, ó, gestante, desse tamanho, com sete “menino” na barriga.

Raquel reage:

— Ai, meu Deus…

Em seguida, a governadora diz:

— Aí, a gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí, a gente bota na fila da laqueadura.

A mulher responde algo que não é possível compreender na gravação. Raquel, então, afirma:

— Mas faz sem ela saber! Vai!

Laqueadura depende de consentimento

A legislação brasileira estabelece que a esterilização deve ser voluntária. A Lei nº 9.263/1996, que trata do planejamento familiar, determina que a realização da laqueadura depende da manifestação expressa da vontade da paciente, registrada em documento escrito e assinado.

A mulher também deve ser informada previamente sobre os riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de reversão e métodos contraceptivos reversíveis disponíveis.

O artigo 15 da mesma lei estabelece como crime realizar esterilização cirúrgica em desacordo com essas exigências. A pena prevista é de dois a oito anos de reclusão e multa, caso a conduta não constitua crime mais grave.

Governadora admite ter sugerido laqueadura sem consentimento

Procurada pela coluna, a governadora divulgou a seguinte nota e fez um vídeo nas suas redes admitindo a fala.

“A governadora Raquel Lyra reconhece que a fala feita em Garanhuns foi infeliz e reafirma seu respeito às mulheres. Raquel defende que toda mulher tenha acesso, pela rede pública, a planejamento familiar com informação e escolha, compromisso que orientou sua gestão em Pernambuco. Raquel Lyra segue focada no que interessa aos pernambucanos: saúde, escola e emprego na vida de quem mais precisa. A eleição deve ser decidida na apresentação de propostas, não na fabricação de ataques. Trata-se de mais uma tentativa de desviar o foco do que realmente importa, que é Pernambuco”.

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