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"Canal direto com o STF"

Radar Olhar Aguçado(há 26 minutos)

Soube-se ontem que há outra advogada que teria recebido uma bolada do Banco Master, além de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes.

O nome dela é Dalide Corrêa. De acordo com uma auditoria feita pelo Banco Regional de Brasília (BRB) nos contratos do Banco Master, cujos documentos foram encontrados pela PF, o escritório dessa senhora teria embolsado, em 2024, espantosos R$ 33 milhões.

A auditoria, que visava a esquadrinhar a contabilidade do banco que Daniel Vorcaro queria vender ao BRB,  achou suspeito o contrato de valor estratosférico, assim como o assinado (e revisado por Alexandre de Moraes) com a doutora Viviane — que, naquele mesmo ano, levou R$ 40 milhões, segundo a auditoria.

Bota suspeita nisso. Segundo o jornalista Aguirre Talento, que publicou a história, em diálogos de diretores do Master, Dalide é citada como “canal direto com o STF”.

Figura muito conhecida em Brasília, Dalide foi diretora do IDP, o instituto de Gilmar Mendes, até ser substituída pelo filho do ministro.

Em 2018, Dalide apareceu como protagonista de uma reportagem do jornalista Rodrigo Rangel, então diretor de redação da revista que criei. Havia indícios de que o instituto até então dirigido por ela havia sido usado pela JBS para aproximar-se de juízes em Brasília. Aproximação mediante R$ 200 milhões, essa era a cifra trazida pela reportagem.

“Àquela altura, estava em negociação um acordo de leniência em que a holding da JBS poderia ser obrigada a pagar nada menos do que R$ 11 bilhões. Joesley Batista precisava reduzir esse valor, mas para isso dependia da benevolência de um dos magistrados. Em busca de solução, ele recorreu a Dalide”, conta a reportagem, que a chamou de “mulher-bomba”.

É que ela estava se sentindo injustiçada neste país em que é preciso lembrar que até mesmo a máfia tem ética. Depois que a PF começou a investigar os indícios da trama, Dalide se viu afastada da direção do instituto. Mas, apesar de ser um poço até aqui de mágoa, ela insistia que o seu afastamento não tinha “ligação com esse episódio com a JBS”.

De qualquer forma, Dalide já estava instalada como advogada em um big escritório próprio no Lago Sul. E, seis anos depois da reportagem, voltaria a ser considerada “canal direto com STF”, porque a virtude compensa. Quer dizer, ela nega ser canal de qualquer coisa. Em nota enviada ao jornalista Aguirre Talento, afirmou que “jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”.  Está certo, Dalide.

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