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Brasil rejeitou tentativa dos EUA de politizar negociações sobre tarifaço

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Brasil rejeitou tentativa dos EUA de politizar negociações sobre tarifaço

O governo brasileiro rejeitou a tentativa dos Estados Unidos de incluir questões políticas nas negociações para rever o tarifaço. Integrantes do governo consultados sob reserva pelo Metrópoles avaliam que a diplomacia brasileira agiu com êxito ao impedir que os temas avançassem nas tratativas.

Os Estados Unidos apresentaram um documento com 21 pontos ao governo brasileiro fazendo uma série de exigências para negociar o tarifaço aplicado contra o Brasil, entre elas que o governo permitisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de outubro. O caso foi revelado pelo Estadão e confirmado pelo Metrópoles.

O pedido foi entendido como uma tentativa de interferência em questões internas do Brasil e não foi levado adiante pelo governo. O documento, conforme apurou a reportagem, foi entregue ao chanceler Mauro Vieira em outubro do ano passado, quando ele foi até Washington organizar o encontro entre Lula e Donald Trump na Malásia.

Na ocasião, Vieira comunicou a diplomacia norte-americana que o documento não seria levado adiante para discussões por entender que fugia do escopo central das tratativas sobre o tarifaço, que deveria se ater a temas comerciais e àqueles previstos na Seção 301, que justificou a política tarifária da Casa Branca.

Deixado de lado, membros da diplomacia brasileira afirmam que o tema não voltou a aparecer em discussões sobre o tarifaço. A avaliação é que o “recado foi entendido” e as negociações sobre as alíquotas contra o Brasil ganharam um tom mais técnico.


Tarifas contra o Brasil


Politização do tarifaço

O governo brasileiro vê tom político na política tarifária de Donald Trump contra o Brasil desde que as investigações comerciais foram abertas. A primeira pista foi dada ainda em julho de 2025, pouco meses antes do documento com 21 exigências ser entregue a Mauro Vieira nos Estados Unidos.

Na ocasião, Donald Trump enviou uma carta ao Brasil alertando sobre a aplicação da taxa de 50% contra produtos brasileiros. Na época, o presidente dos Estados Unidos disse que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), agora condenado por tentativa de golpe de Estado, não deveria acontecer por ser uma “caça às bruxas”.

Outro fator utilizado para corroborar tal percepção é baseado nas explicações utilizadas pelo USTR para justificar as taxas — o Governo Federal alega que nenhuma das explicações apresentadas pelos negociadores brasileiros para reverter as taxas foram levadas em consideração pelo órgão norte-americano durante o período de mais de um ano de negociação.

Após a aplicação das taxas, em julho deste ano, o governo brasileiro expressou através de posicionamento oficial a percepção de que a medida tinha “expressa motivação política”.

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Tarifaço
Trump cumpriu ameaça e aplicou novo tarifaço
Tarifaço de Trump afeta diversos países
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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Otavio Augusto/ Arte Metrópoles
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Trump cumpriu ameaça e aplicou novo tarifaço

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Tarifaço de Trump afeta diversos países
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Tarifaço de Trump afeta diversos países

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“Dissidentes” nas eleições

O governo de Donald Trump enviou documento ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exigindo que “dissidentes políticos” no Brasil não sejam presos, detidos ou impedidos de participar das Eleições 2026.

“O Brasil deve se comprometer a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deve deter, prender, nem limitar arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”, diz trecho do documento.

A avaliação do governo brasileiro é que por “dissidentes políticos”, os EUA se referiam ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos manifestantes dos atos 8 de Janeiro.

O tema foi discutido em nível técnico entre o Palácio Itamaraty e o Departamento de Estado e comunicado ao presidente Lula, que chegou a realizar uma reunião com alto escalação do Itamaraty e do Planalto para discutir o tema.

As exigências abordadas no documento, sobretudo as de tom políticos, foram escanteadas no processo de negociação das tarifas. Outros tópicos, como aqueles sobre minerais críticos, Pix e etanol, voltaram às reuniões bilaterais para negociar o tarifaço.

Os dois países, agora, reabriram a linha de negociações depois que Lula e Donald Trump se falaram por telefone no último mês. Na ocasião, os dois líderes concordaram em retomar os diálogos com o objetivo de encontrar uma saída para as tarifas norte-americana contra produtos brasileiros.

No contexto desta retomada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o Representante do Escritório do Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, devem se reunir no final deste mês para uma reunião presencial para tratar do tarifaço.

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