Alvo de mandado de prisão no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17/9), o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União) segue como administrador de um grupo de WhatsApp de vereadores da capital (veja imagem abaixo).
Leite deixou a Câmara em janeiro de 2025, após não concorrer à reeleição no pleito de 2024. Ele cumpriu sete mandados seguidos como vereador e foi presidente por seis anos.
Segundo vereadores, Milton Leite ainda está presente como administrador de um grupo com cerca de 60 pessoas, incluindo os 55 atuais vereadores, chamado “Câmara SP”.
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Depois do início da atual legislatura, um outro grupo foi criado, sob a alcunha de “oficial”, sem a presença de Leite. De acordo com parlamentares, este segundo grupo atualmente é mais movimentado que o primeiro, que tem interações mais esporádicas.
“O que o Milton está, tem 60 pessoas. E o que ele não está, tem 65 pessoas. Na verdade, os dois grupos estão uma bagunça. Nenhum tem estritamente os 55 vereadores”, explicou um vereador.

Mesmo após deixar a Casa, Milton Leite continuou exercendo influência no Legislativo municipal e atuou diretamente na disputa pela presidência da Câmara no ano passado, quando não conseguiu emplacar seu pupilo Silvão Leite no comando.
Além de Silvão, outro herdeiro político de Milton na Casa é Silvinho Leite. Ambos atuavam como assessores ou chefes de gabinete em mandatos da família Leite e se elegeram usando o sobrenome do cacique nas urnas.
Operação Vectura Corrupta
Deflagrada peplo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil nesta quinta-feira (17/9), a Operação Vectura Corrupta mira um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) com empresas de transporte público no estado.
Ao todo, as autoridades cumprem 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos, está o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União).
A operação desta quinta-feira é um desdobramento de outra operação, deflagrada em agosto de 2024 e batizada de Decúrio. Na ocasião, as autoridades identificaram uma rede de comunicação entre integrantes da PCC e trocas de mensagens sobre a atuação do grupo.
A investigação cita a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na Capital e no interior”. No município de São Paulo, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais.
Os criminosos também utilizariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que seriam integrantes do PCC. Além disso, o grupo também teria promovido ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos.
O que dizem os envolvidos
O Metrópoles tenta contato com os investigados. Por telefone, Milton Leite negou envolvimento no esquema e afirmou que se apresentará às autoridades dentro de 24 horas. A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou que foi surpreendida com a notícia da prisão e que aguarda acesso aos autos para adotar as medidas cabíveis.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
A prefeitura informou ainda que abriu processo pela Controladoria Geral do Município contra as empresas e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
Também em nota, a Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar os desdobramentos das investigações promovidas pelo MPSP, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, e aguarda as conclusões.

