O governo de Donald Trump enviou um documento ao governo Lula (PT) exigindo que “dissidentes políticos” no Brasil não sejam presos, detidos ou impedidos de participar das Eleições de 2026. A solicitação teria sido feita em outubro de 2025, quando os países negociavam após os EUA imporem tarifas extras de 50% a produtos brasileiros.
A existência do documento foi revelada pelo Estadão e confirmada pelo Metrópoles.
“O Brasil deve se comprometer a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não não deve deter, prender, nem limitar arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”, diz trecho do documento.
O documento colocou 21 exigências dos EUA ao governo brasileiro. Elas não foram aceitas, segundo relatou ao Metrópoles uma fonte do Itamaraty. “Houve, de fato, o pedido, feito por um diplomata de origem venezuelana radicado nos EUA, mas nunca foi incorporado oficialmente às negicaiações. Foi dito que não há dissidentes políticos no Brasil e a solicitação não prosperou, nem mesmo naquele dia, nasceu morta”, diz a fonte.
Leia também
Ao Metrópoles, integrantes do Itamaraty revelaram que, por “dissidentes políticos”, os EUA se referiram ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a trama golpista, e aos manifestantes antidemocráticos do 8/1.
“Mas não se pode considerar Bolsonaro preso político, porque ele não se opõe ao sistema político”, explica outra fonte. “Isso circucou no nível técnico, por um par de horas, mas nunca subiu para o nível político porque não era base para negociação”.
“Missão eleitoral”
Em agosto, uma posição oficial enviada por um alto funcionário do governo norteamericano ao Metrópoles afirmou que respeitará o pleito brasileiro se forem “eleições livres e justas”, após o governo brasleiro negar vistos a dois funcionários da Casa Branca que viriam em “missão eleitoral” ao Brasil. Na ocasião, os EUA negaram qualquer intenção de interferir nas eleições.

