A Polícia Militar de São Paulo criou uma cartilha para orientar a tropa a registrar e divulgar ocorrências nas redes sociais com uma preocupação que vai além da qualidade das imagens. No documento, obtido pela coluna, a corporação explica como disputar a narrativa sobre as ações da corporação no ambiente virtual.
Nas considerações finais, tratadas no documento como ponto estratégico da comunicação, a PM afirma que o Instagram institucional “não é vitrine para ganhar curtidas, é ferramenta de combate”. A corporação diz ainda que uma ocorrência bem-sucedida nas ruas pode ser “anulada em minutos no campo informacional” caso sua versão não seja a primeira a chegar ao público.







Edição e inclusão de legendas são também destacados no material
Reprodução/PMSPEm cartilha são dados orientações do que evitar e o que priorizar
Reprodução/PMSPMilitares defendem pretendem se defender de construção de narrativas
Reprodução/PMSPCorporação paulista vê rede social como campo de batalha
Reprodução/PMSPApresentação de conteúdo está entre os itens abordados
Reprodução/PMSPPMs são orientados a seguir dicas de "ouro"
Reprodução/PMSP“Guerra da informação”
Em um trecho da cartilha é afirmado que se a PM perder a “guerra da informação”, a vitória obtida nas ruas perde efeito porque o apoio da sociedade e a legitimidade da instituição seriam atingidos.
O manual também alerta que ações policiais podem ser apresentadas de forma que “transformem o policial em vilão” e sustenta que a rede social deve impedir que o sucesso de operações seja “roubado por narrativas de quem quer enfraquecer a polícia”.
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Versão oficial
A orientação é a de que policiais pensem previamente no conteúdo, no público e no objetivo da publicação. A cartilha recomenda mostrar o impacto da ocorrência na vida do cidadão e explorar o chamado “triálogo”, constituído pela polícia e população unidas contra um inimigo comum, definido como “o crime, a desordem e a insegurança”.
No encerramento, a PM resume a lógica do documento na qual “a guerra só termina quando a versão oficial prevalece” e, se a corporação não ocupar o espaço digital, “o inimigo ocupará”.
Dicas do que fazer e evitar
Para capacitar seus policiais nessa batalha virtual, com consequências no plano da realidade, a corporação instrui a tropa, por meio da cartilha, sobre como captar e apresentar os registros.
As recomendações sobre o que deve ser evitado ou priorizado vão desde limpar a lente dos celulares, para garantir maior nitidez das imagens, até usar um segundo aparelho ou mesmo um microfone para melhorar a captação do áudio.
Também constam na cartilha orientações sobre a edição do conteúdo e sobre a importância de fisgar o público logo no início. Segundo o próprio documento da corporação, os três primeiros segundos de um vídeo “valem ouro”.

