Apontado pela Polícia Civil como líder de um grupo virtual investigado por exploração sexual de crianças e adolescentes, incentivo à automutilação e estupros virtuais, Nicolas Archanjo Silva, de 21 anos, o Naro (imagem em destaque), foi preso temporariamente em São Paulo.
A ordem judicial relaciona diretamente o investigado a um caso de estupro de vulnerável, gravado e posteriormente divulgado em canais na internet.
Segundo a decisão obtida pela coluna, a adolescente foi atraída até a casa de Nicolas e ingeriu uma bebida oferecida por ele. A substância teria reduzido sua capacidade de discernimento e reação.





Líder de "panela" foi preso por determinação judicial
Reprodução/Polícia CivilNaro teria dopado e estuprado vítima de 16 anos
Reprodução/Arquivo PessoalEle já é investigado por outros crimes, fomentados no ambiente virtual
Reprodução/Arquivo PessoalVítima foi agredida fisicamente após abuso sexual
Reprodução/Arquivo PessoalNesse estado, ela teria sido submetida a atos sexuais sem consentimento, agressões e queimaduras com cigarros. Nicolas teria registrado o abuso em vídeo e espalhado as imagens em canais virtuais, prática chamada pelo grupo de “explanação”. Ele é monitorado pela Polícia Civil por outros crimes. O mandado de prisão, expedido pela Justiça, foi comprido segunda-feira (14/9) na capital paulista.
A defesa de Nicolas não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.
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“Acordei com a câmera na minha cara”
Em um vídeo publicado após o episódio, obtido pela coluna, a vítima de Naro, de 16 anos, relata que não estava consciente quando o abuso começou.
“Eu nem tava consciente porque […] me desmaiou. Eu acordei com a câmera na minha cara já”.
Ela também afirma que o vazamento das imagens transformou a vida dela “num inferno.” A vítima fala ainda sobre ameaças posteriores à divulgação do vídeo.
A decisão judicial afirma que, mesmo depois do episódio, houve “reiteração de ameaças virtuais”, invasões de canais de áudio usados pela vítima e exposição contínua de conteúdo íntimo. Para a Justiça, os elementos reunidos apontam a “alta reprovabilidade das condutas delitivas” e a necessidade de impedir interferências na investigação.
Grupo sob investigação
O documento aponta que o grupo END, no Telegram, era monitorado por disseminação de exploração sexual infantojuvenil, induzimento à automutilação, estupros virtuais e coação. A investigação atribui a Nicolas a liderança da estrutura e menciona notícias de outras possíveis vítimas submetidas a condutas semelhantes.
Nicolas foi preso temporariamente por investigação de estupro de vulnerável, crime classificado como hediondo. A decisão também registra antecedentes por infrações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas sem especificá-los

