A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou, nesta terça-feira (15/9), a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta ligação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi marcada por uma sequência de embates e bate-bocas entre integrantes da Corte.
A sessão terminou no início da noite, algum tempo depois do pedido de vista do ministro Flávio Dino, depois de cerca de sete horas e meia de debate, deixando mais dúvidas do que respostas sobre o futuro de Moraes no tribunal e expondo a extensão da rachadura entre os ministros do Supremo.
Ainda pela manhã, os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Flávio Dino e Edson Fachin protagonizaram embates diretos.
Assista:
Confira outros momentos abaixo:
Moraes x Mendonça
Os ministros STF Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram momentos de tensão no plenário da Corte.
A primeira discussão começou logo após o ministro Luiz Fux acusar a existência de uma Polícia Federal “paralela”.
Assista:
“Quem tem medo da Polícia Federal?”, questionou Moraes em certo momento da sessão. Mendonça fez menção de responder e Moraes interrompeu. “Eu não estou perguntando a Vossa Excelência”.
“Quem chamou a PF e exigiu que colocasse um colega na colaboração premiada”, completou o ministro. “E vamos trazer aqui testemunhas que eu vou indicar, não só policiais, advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam, incluam o ministro Alexandre’“, declarou Moraes.
André Mendonça o interrompeu e começou a dizer que Moraes estava mentindo. “Pode chamar quem quiser, pode mentir.”
Moraes completou e disse que Mendonça estaria “a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe no país”. Mendonça afirmou que “não iria responder”.
Gilmar Mendes x Mendonça
Um dos momentos de maior estresse, entretanto, aconteceu entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes quando Mendonça discorria sobre um possível envolvimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no Caso Master.
Gilmar Mendes interrompeu o colega de Corte e disse: É impressionante a desfaçatez desse sujeito”.
“Desfaçatez de Vossa Excelência. Me respeite”, respondeu Mendonça aos gritos.
Gilmar acrescentou: “Pode chorar”. “Aqui não tem choro não. Respeite”, concluiu Mendonça.
Assista:
O bate-boca foi interrompido pelo ministro Flávio Dino, pediu vista do julgamento, alegando que o debate sobre o tema estava “degradando” o STF. O magistrado criticou a condução do presidente da Corte, ministro Edson Fachin em relação às diversas “trocas de farpas” entre os magistrados.
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Fachin x Dino
Edson Fachin e Flávio Dino, por sua vez, também entraram em confronto durante a sessão. O ministro Dias Toffoli falava quando Dino o interrompeu, e Fachin interveio, elevando o tom de voz, para cobrar que o ministro siga as “regras da Corte”.
Veja:
Sessão encerrada sem decisão
A sessão extraordinária que analisava a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Caso Master, terminou sem conclusão. A Corte também não definiu se os processos que envolvem Moraes e o ministro André Mendonça devem ser analisados separadamente ou em conjunto.
Na segunda parte da sessão, os ministros passaram a analisar uma questão de ordem apresentada pelo decano Gilmar Mendes. Ele propôs reunir os processos que envolvem Moraes e a conduta de Mendonça e adiar o julgamento para 23 de setembro.
O ministro Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise. Antes do encerramento, porém, o presidente do STF, Edson Fachin, deu a palavra a Luiz Fux e Cármen Lúcia, que anteciparam seus votos sobre a questão.
A sessão terminou com placar de 4 a 3 contra o entendimento apresentado por Gilmar. Votaram pela análise conjunta dos processos Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Ficaram contra o julgamento conjunto Edson Fachin, Luiz Fux, André Mendonça e Cármen Lúcia.
Dino também indicou inicialmente voto favorável à reunião dos processos, mas, como havia pedido vista, seu voto não foi contabilizado no placar. Com a interrupção, a definição sobre a forma de tramitação dos casos e a análise da investigação contra Moraes permanecem pendentes.

