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Governo apura fraude em projeto de tiro bancado com emenda de Mario Frias

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Governo apura fraude em projeto de tiro bancado com emenda de Mario Frias

O Ministério do Esporte vai investigar a execução de emendas parlamentares pagas a associação de tiro esportivo. Os recursos foram destinados à entidade por indicação dos deputados federais Mario Frias (PL-SP) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).

Como revelou a coluna, a Associação Nacional Rifle (ANR) pagou R$ 920 mil a empresas que têm o próprio presidente da entidade como sócio, o que é irregular. A ANR recebeu R$ 1 milhão após firmar termo de fomento com o Ministério do Esporte, a fim de viabilizar um projeto para incentivar o esporte de tiro ao prato em Saltinho (SP).

Procurado pela coluna, o Ministério do Esporte afirmou que a prestação de informação ou declaração falsa acarretará a responsabilização civil e criminal da entidade e de seus responsáveis.

“Caso as irregularidades sejam confirmadas, o Ministério adotará as medidas administrativas cabíveis, incluindo a glosa das despesas, a devolução dos recursos, a reprovação das contas e a instauração de Tomada de Contas Especial”, destacou.

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A pasta ressaltou ainda que, se confirmadas as irregularidades, também serão encaminhadas representações aos órgãos de controle, ao Ministério Público e à Polícia Federal, para a apuração das responsabilidades nas esferas competentes.

“O Ministério do Esporte reafirma seu compromisso com a transparência, a fiscalização e a correta aplicação dos recursos públicos”, reforçou.

Após receber o montante, a associação utilizou quase 90% do dinheiro para a contratação de duas empresas ligadas a Rafael Buscariol Zampaulo, que preside a ANR. A Company Thzt Security LTDA recebeu R$ 527 mil, enquanto o Clube de Tiro Desportivo Red Neck LTDA recebeu R$ 392 mil.

Ambas as empresas beneficiárias têm como um de seus sócios-administradores Rafael Zampaulo, conforme registro da Receita Federal. Os repasses estão ligados à aquisição de materiais para viabilizar o projeto e contratação de pessoal.

Notas fiscais remetidas ao Ministério do Esporte e obtidas pela coluna detalham a utilização dos recursos. Entre outros gastos, cerca de R$ 200 mil foram utilizados na aquisição de dez máquinas lançadoras automáticas e R$ 62,4 mil na compra de óculos de proteção balística.

Os documentos apontam também a utilização de R$ 90 mil para aquisição de munições calibre 12. A associação também pagou a uma das empresas ligadas ao presidente R$ 110 mil por 72 diárias de estande de tiros e R$ 45,4 mil pela locação de dez espingardas.

A contratação vai de encontro ao que diz o termo de fomento, que prevê expressamente que a execução do instrumento observará o princípio da impessoalidade. Trata-se de um princípio da administração pública previsto na Constituição Federal.

Ao firmar o termo de fomento, o presidente da Associação Nacional Rifle também assinou declaração de que não contrataria com recursos da parceria “empresas que sejam do mesmo grupo econômico”.

Declaração assinada pelo presidente da Associação Nacional Rifle
Declaração assinada pelo presidente da Associação Nacional Rifle

Em nota enviada à coluna, o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirmou que a indicação dos recursos ocorreu com base na finalidade pública e nos critérios técnicos apresentados. “A execução financeira, as contratações e a prestação de contas são de responsabilidade da entidade executora, sujeitas à fiscalização dos órgãos competentes”, destacou.

“Diante das informações apresentadas pela reportagem, o deputado cobrará do Ministério do Esporte esclarecimentos sobre a fiscalização e a regularidade da execução dos recursos. Caso seja constatada qualquer irregularidade, defende a apuração e responsabilização dos responsáveis”, completou.

A coluna procurou o presidente da ANR e o deputado Mario Frias, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.

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