O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Brasil pelo combate ao crime organizado e, no mesmo documento, elogiou governos latino-americanos alinhados à direita por medidas contra o narcotráfico. A citação foi feita em um documento onde a Casa Branca define a lista dos principais países de trânsito ou produtores de drogas ilícitas.
A diferença nos tons adotados no documento chama atenção pelo Brasil, que foi criticado, ter ficado de fora da classificação, mas países latinos comandados por aliados de Trump e elogiados na declaração, como Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, México, Bolívia e El Salvador, fossem incluídos.
A Casa Branca afirma ainda que as organizações representam uma ameaça crescente à segurança internacional e cobra que o governo brasileiro adote medidas mais duras para enfrentá-las.
“O governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína”, diz o texto.
A determinação acrescenta que o governo brasileiro precisa “urgentemente tomar medidas enérgicas” contra as facções.




Governo Trump diz que Brasil falhou em combater PCC e CV
Kevin Dietsch/Getty ImagesO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
White House/ReproduçãoElogios a governos de direita
Em contraste com a avaliação sobre o Brasil, o documento elogia Argentina, Equador e El Salvador pelo combate ao narcoterrorismo e destaca a nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, pela disposição de cooperar com Washington contra o crime organizado.
Na Colômbia, Trump elogia o presidente Abelardo de la Espriella e afirma que o país pode retomar o posto de principal parceiro de segurança dos EUA no Hemisfério. O republicano também sinaliza que poderá rever a classificação colombiana caso o governo avance no combate ao cultivo de coca e à produção de cocaína.
A Venezuela também é citada como exemplo de mudança na avaliação de Washington, com Trump atribuindo ao governo de Delcy Rodríguez uma maior cooperação com os EUA contra os cartéis.
“Mudanças políticas drásticas na América do Sul no último ano criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos com os governos da região”, afirma o documento.
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Rubio no centro
A avaliação ocorre poucos dias após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visitar Colômbia, Equador e Peru, com foco no combate ao narcotráfico e na cooperação em segurança. Colômbia e Peru também aderiram ao “Escudo das Américas”, coalizão liderada por Washington contra organizações criminosas.
No Equador, Rubio criticou governos e movimentos de esquerda da região e os associou ao avanço do narcotráfico.
“Esses grupos de esquerda, na realidade, estão em aliança com essas organizações criminosas de narcotráfico. Eles estão alinhados com elas, são aliados delas, permitem que elas realizem essas atividades, em uma aliança nefasta entre os dois lados”, declarou.

