A amizade entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o filho do Fux já é pública. O “irmão”, o charuto, o camarote na Sapucaí. Mas um trecho das conversas apreendidas pela Polícia Federal, como mostradas pelo Metrópoles, na coluna de Manoela Alcântara, muda a natureza da história, porque deixa de falar do filho e passa a tocar no pai, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
É 12 de março de 2025. Horas depois de uma reunião marcada na casa de Vorcaro no Lago Sul, o advogado Rodrigo Fux volta ao WhatsApp. A sequência de mensagens, registrada no extrato da Polícia Federal, é esta:
“Qual a data de Londres mesmo?”, pergunta o filho do Fux às 13h29.
“Pede pra mandarem o e-mail para”, escreve um minuto depois, completando na mensagem seguinte, “fux@fux.com.br”. E emenda, “Esse é o meu”.
“E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim.”
“patriciaan@stf.jus.br”
“Vou pedir!”, responde Vorcaro três minutos depois. O advogado encerra com um emoji de soco, o cumprimento habitual entre os dois. Veja:







Conversas misturam assuntos profissionais, encontros, festas, Carnaval e convites para programas pessoais
Conversas foram extraídas do celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Rodrigo Fux mantinha contato frequente via aplicativo de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro
Registros mostram diálogos mantidos entre maio de 2024 e meados de 2025
Prints mostram envios de links de reuniões por plataformas de videoconferência
Troca de mensagens revela tom de proximidade e intimidade nas conversas
Rodrigo Fux referia-se a Vorcaro como "irmão" em diferentes ocasiões
Vorcaro procurou o advogado em novembro de 2024 solicitando apoio para um caso
Em várias ocasiões, o filho do ministro se coloca à disposição do empresário
Diálogos expõem a interseção entre o ambiente corporativo e os contatos no Judiciário
Diálogos detalham o alinhamento de estratégias de consultoria e intermediação
Prints mostram envios de links de reuniões por plataformas de videoconferência
Mensagens reforçam o interesse de Vorcaro em contratar os serviços do escritório
Relatório da Polícia Federal reuniu os prints de conversas obtidos em apreensões
Material colhido integra as apurações sobre a rede de influência do Banco Master
Documentos foram anexados aos inquéritos que tramitam sobre a instituição financeira
A divulgação das conversas provocou desdobramentos e reações no meio político e jurídico
Conteúdo das mensagens passou a ser analisado no âmbito das investigações do STF
Apurações buscam mapear a dimensão e o alcance das pontes de influência com familiares de magistrados
Troca de mensagens entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro obtida em relatório da PF
Diálogos expõem tratativas sobre demandas de interesse do Banco Master
Prints anexados aos inquéritos detalham o grau de proximidade das conversas
Material apreendido integra as apurações da Polícia Federal sobre redes de influência
Registros mostram agendamentos de reuniões virtuais e presenciais entre os dois
Conversas combinavam compromissos profissionais e encontros sociais
Rodrigo Fux referia-se a Vorcaro como "amigo" em diferentes ocasiões
O endereço indicado não é pessoal. O domínio stf.jus.br é o institucional do Supremo Tribunal Federal, e é o próprio advogado quem identifica a titular como secretária do pai dele. O diálogo, porém, para por aí. Não diz o que era “Londres”, não usa a palavra convite e não esclarece o teor do e-mail que deveria ser enviado.
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A conclusão mais provável, ainda que não comprovada pelo extrato, aponta para um evento específico. O Banco Master preparava para 2025 a segunda edição do Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, sequência do encontro que em 2024 reuniu ministros do STF e integrantes do governo no luxuoso hotel The Peninsula, com patrocínio do banco e debates ancorados pelo próprio Vorcaro.
Era o único compromisso do Master previsto para Londres naquele período e ainda estava sem data definida, o que combina com a pergunta do advogado.
Se essa leitura estiver correta, um e-mail sobre um fórum desenhado para ministros do Supremo, endereçado à secretária de um deles, ganharia sentido óbvio. O encontro de 2025 acabou cancelado em agosto, e não há registro de que a mensagem tenha sido enviada.
O trecho é o único do material divulgado até agora que conecta a estrutura oficial de um gabinete do STF à equipe do banqueiro que seria preso na Operação Compliance Zero, acusado de fraudes bilionárias. E não é o único diálogo que sugere papel ativo do advogado.
Em 25 de fevereiro, é ele quem pergunta “Já está a par do encontro de hoje, né?”, ouve um grato “Sim! Vc é fera” e emenda com “Será um grande dia”, sem que as mensagens revelem que encontro era esse.
Dias depois, ao marcar visita à casa do banqueiro, avisa que passaria antes no “aniversário do Barroso”, emendando na mesma agenda a festa de um ministro do Supremo e a reunião reservada com o dono do Master.
O calendário dá peso ao conjunto. A primeira consulta profissional, com o pedido de ajuda “num caso” e o envio do documento “SLAT TABU”, veio em novembro de 2024, semanas antes de o Master mergulhar na crise de liquidez. E a última mensagem do advogado, em 30 de agosto de 2025, soa como quem acompanha o noticiário.
“Vi a movimentação. Só pra eu entender. Vc ainda tem interesse?” Menos de três meses depois, a PF prendeu Vorcaro.
A dúvida que o trecho de Londres deixa é simples. Seja qual for o assunto tratado ali, por que uma mensagem combinada com o dono do Master deveria chegar a uma caixa de e-mail oficial do Supremo Tribunal Federal?

