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Douglas Azara e sócios da Naskar enganaram clientes ao fingir venda, diz MP

Radar Olhar Aguçado(há 43 minutos)
Douglas Azara e sócios da Naskar enganaram clientes ao fingir venda, diz MP

O empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, juntamente com os três ex-sócios da Naskar Gestão de Ativos Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, teriam enganado os investidores ao apresentar uma suposta venda da empresa como solução para a crise financeira. Segundo denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) encaminhada à Justiça do DF, a falsa venda fez parte de uma “segunda etapa” da fraude orquestrada pelos quatro denunciados.

Após o Metrópoles anunciar o sumiço dos donos da fintech, em maio deste ano, os sócios da Naskar se pronunciaram afirmando que a Azara Capital compraria a fintech por R$ 1,2 bilhão, apresentando a transação como solução para a crise. No entanto, nunca houve comprovação de que o fundo possuísse os recursos necessários para realizar a operação, o que, segundo o MPDFT, “reforça o indício de que as informações foram utilizadas para induzir ou manter os investidores em erro”.

“O ardil foi rapidamente descoberto, uma vez que o capital bilionário anunciado não correspondia a patrimônio efetivamente existente. Na época, a renda declarada pelo denunciado [Douglas] era de aproximadamente R$ 1,7 mil mensais, enquanto as dezenas de empresas recém-constituídas — entre elas, postos de combustíveis, fazendas e um denominado “Banco Phoenix” — apresentavam, em conjunto, capital social declarado de R$ 2,4 bilhões”, destacou o promotor.

Até então, a investigação havia apontado como principais envolvidos apenas os três ex-sócios. No entanto, a acusação sustentada pelo promotor Paulo Roberto Binicheski diz que Douglas Azara “praticou vários atos que depois se revelariam como previamente armados para conferir credibilidade à sua inserção formal no esquema fraudulento”, logo após aquisição da Naskar pelo empresário.

Dentre os elementos apresentados, o MPDFT questiona a existência da Azara Capital LLC, apresentada aos investidores como um fundo norte-americano que compraria a Naskar e garantiria os pagamentos. Na fase de divulgação da compra, foi apresentado, inclusive, o endereço da sede da empresa em Miami, que correspondia a uma localização comercial compartilhada por diversas pessoas jurídicas.

“Esse elemento demonstra a artificialidade da entidade estrangeira, desprovida de comprovação idônea quanto à sua efetiva constituição, representação, identificação dos beneficiários finais, patrimônio, capacidade financeira e disponibilidade dos recursos anunciados. O grandioso anúncio do suposto fundo norte-americano constituiu ardil destinado a preservar a aparência de solvência da operação, retardar a adoção de medidas de proteção patrimonial e prolongar o estado de erro dos investidores”, disse em denúncia.

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Marcelo Arantes, sócio da Naskar
Rogério Vieira, sócio da Naskar
Douglas Azara, falso comprador da fintech
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Maurício Jahu, sócio da Naskar. O mais famoso do trio, Jahu foi apresentador da ESPN
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Maurício Jahu, sócio da Naskar. O mais famoso do trio, Jahu foi apresentador da ESPN

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Marcelo Arantes, sócio da Naskar
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Marcelo Arantes, sócio da Naskar

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Rogério Vieira, sócio da Naskar
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Rogério Vieira, sócio da Naskar

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Douglas Azara, falso comprador da fintech
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Douglas Azara, falso comprador da fintech

Material cedido ao Metrópoles

O promotor reforça que tais atuações “não se apresentavam como episódicas, autônomas ou dissociadas da estrutura central”. Além disso, os elementos reunidos indicam uma “integração funcional entre esses participantes e o núcleo diretivo”, com divisão de tarefas voltada à captação, circulação, retenção e administração dos recursos provenientes dos investidores.

“Nesse contexto, a divulgação da suposta aquisição apresenta-se como ardil sobreposto, premeditado e coordenado, destinado não à efetiva capitalização da Naskar, mas à indução em erro de investidores já lesados, à preservação da aparência de continuidade da operação e ao retardamento da adoção de medidas de proteção patrimonial“, concluiu o promotor.

Ciência do colapso financeiro

A denúncia encaminhada também aponta que Rogério tinha conhecimento da “deterioração econômico-financeira da empresa” antes da suspensão pública dos pagamentos. Isso porque no dia 30 de abril de 2026, o ex-sócio recebeu áudio de terceiro que expressava preocupação com as operações da Naskar.

Na mensagem, o cliente da empresa “alertava para a necessidade de reforço das garantias, a impossibilidade de realização de novos saques, o risco de bloqueio das contas e o comprometimento da capacidade operacional da empresa”. No entanto, Rogério o ignorou.

Também foi denunciado uma minuta com respostas para questionamentos da imprensa sobre a crise, semelhante ao comunicado posteriormente enviado aos investidores.

“Nesse contexto, a alegação de indisponibilidade ou inconsistência dos dados demonstra-se insustentável, uma vez que a preservação de planilhas e registros financeiros nos dispositivos examinados evidencia que os investigados conheciam a real situação da empresa quando prestaram declarações públicas”, declarou o promotor.

O MP aponta ainda que conversas sobre a Naskar foram apagadas dos aparelhos de Rogério antes do colapso, o que seria um indício de tentativa de dificultar a coleta de provas.

Trio solto e dono foragido

Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato foram soltos pela Justiça do DF no início deste mês. Apesar de a 4ª Vara Criminal de Brasília conceder liberdade, o deferimento do pedido foi aceito mediante a imposição de medidas cautelares. Dentre as restrições está a proibição da atuação do trio no mercado financeiro e apreensão do passaporte.

Na decisão que determinou a soltura, o juiz Aimar Neres de Matos considerou, entre outros pontos, que a investigação foi formalmente encerrada em 28 de agosto. Além disso, ressaltou que a eventual realização de análises periciais sobre materiais já apreendidos não seria suficiente para manter os investigados presos.

O magistrado também avaliou que não havia notícia de tentativa de interferência na investigação, constrangimento de testemunhas ou risco concreto de fuga, o que levou ao indeferimento a imposição por tornozeleira eletrônica.

Já Douglas completou dois meses foragido da Justiça brasileira por supostamente desviar R$ 60 milhões da fintech Zema Financeira, empresa da família do candidato à Presidência Romeu Zema (Novo).

Mesmo com mandado de prisão em aberto, Douglas Azara segue ostentando nas redes sociais e passeando por cidades como Madri, na Espanha, e Dubai, nos Emirados Árabes.

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Douglas apareceu viajando de primeira classe para Madri, na Espanha
Douglas compartilhou três carrões usados por ele, em Dubai
Douglas Azara, famoso após aparecer como comprador da Naskar, surge como mentor de fraude contra Grupo Zema
Douglas Silva de Oliveira, 26 anos
Enquanto as investigações seguem, Douglas se mudou para Dubai e passou a responder comentários e comentar publicações
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Douglas apareceu viajando de primeira classe para Madri, na Espanha

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Douglas apareceu viajando de primeira classe para Madri, na Espanha

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Douglas compartilhou três carrões usados por ele, em Dubai
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Douglas compartilhou três carrões usados por ele, em Dubai

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Douglas Azara, famoso após aparecer como comprador da Naskar, surge como mentor de fraude contra Grupo Zema
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Douglas Azara, famoso após aparecer como comprador da Naskar, surge como mentor de fraude contra Grupo Zema

Arte de Lara Abreu/Metrópoles sobre foto de redes sociais
Douglas Silva de Oliveira, 26 anos
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Douglas Silva de Oliveira, 26 anos

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Enquanto as investigações seguem, Douglas se mudou para Dubai e passou a responder comentários e comentar publicações
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Enquanto as investigações seguem, Douglas se mudou para Dubai e passou a responder comentários e comentar publicações

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O empresário postou fotos em viagem a Dubai
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O empresário postou fotos em viagem a Dubai

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Douglas ostenta carros de luxo nas redes sociais
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Douglas ostenta carros de luxo nas redes sociais

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Entenda o caso

  • A Naskar Gestão de Ativos chegou a ter sede no DF e, atualmente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Apresenta-se como fintech (empresa de serviços financeiros que oferece facilidades aos clientes em comparação com bancos tradicionais);
  • A empresa atuava captando recursos de clientes com retorno de 2% ao mês, valor bem acima do operado pelo mercado; por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa cuidaria do patrimônio investido pelo cidadão;
  • A financeira atuou por 13 anos sem problemas. Até que, em maio, o pagamento mensal de rendimentos não foi realizado;
  • Os clientes buscaram entender o que estava acontecendo e não obtiveram resposta.

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