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Paulo Teixeira: “Dark Horse é fachada para esquema de corrupção”

Radar Olhar Aguçado(há 34 minutos)
Paulo Teixeira: “Dark Horse é fachada para esquema de corrupção”

O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar Paulo Teixeira afirmou que o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, seria usado como “fachada para um esquema de corrupção”.

Em entrevista à coluna durante o programa Agora Metrópoles, Teixeira disse ter protocolado uma petição ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, pedindo que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e integrantes da Polícia Civil paulista sejam investigados por suposta obstrução de Justiça no caso.

O ex-ministro, que deixou o governo para participar da campanha de Fernando Haddad, também defendeu que Lula intensifique sua agenda em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo e endureça os ataques contra Flávio Bolsonaro.

Leia a entrevista:

Coluna — Como o senhor avalia a crise no Supremo Tribunal Federal e o impacto dela sobre as eleições? O que espera da sessão desta terça-feira?

Paulo Teixeira — Primeiro, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro é gigantesca. Flávio Bolsonaro não tem um currículo, tem uma folha corrida, uma capivara, como se costuma dizer na linguagem policial. E nós temos certeza da grandeza do presidente Lula. Se compararmos o governo Lula com o governo Bolsonaro, Lula ganha a anos-luz. Se compararmos o currículo de Lula com o de Flávio, Lula também ganha a anos-luz. Se a população brasileira souber como Flávio amealhou seu patrimônio, ninguém votará nele, porque ele sempre se envolveu com ilícitos.

Em relação ao Supremo Tribunal Federal, primeiro, é uma crise do Supremo, não diz respeito a nós. Em segundo lugar, vou ouvir as acusações e, *se houver alguém que deva, tem que responder*, terá que se defender dentro do devido processo legal e apresentar seus argumentos. O Brasil é um país em que deve haver transparência no setor público. *Quem errar, tem que pagar.* Nós não somos favoráveis ao erro nem queremos protegê-lo. Espero que todos os fatos venham à tona e que todos os que erraram sejam devidamente processados e possam responder.

Coluna — Apesar das acusações feitas pelo senhor, as pesquisas mostram Flávio Bolsonaro competitivo contra Lula. Como o senhor avalia esses números, especialmente em Minas Gerais?

Paulo Teixeira — Há dois dias, o Datafolha, que é o instituto mais renomado do Brasil, apresentou uma pesquisa na qual o presidente Lula lidera o processo eleitoral no primeiro e no segundo turnos. Para mim, essa é a referência maior, porque os demais institutos erraram muito. Espero sempre acompanhar as pesquisas do Datafolha.

Em segundo lugar, a própria pergunta demonstra que o tema do Supremo está tomando o debate político. Por isso, espero que o Supremo dê algum encaminhamento na direção da apuração e que as eleições voltem ao que interessa à sociedade brasileira. O Supremo terá tomado as providências — e o STF também precisa de reformas — e nós poderemos discutir o Brasil como um todo.

Nesse debate, Flávio Bolsonaro não completou o primário da política, enquanto Lula tem um pós-doutorado na política brasileira. Flávio não fez nada pelo povo brasileiro; Lula já fez muito. Flávio veio da tradição da arma, da divisão e daqueles que *mataram 700 mil pessoas por falta de vacina no Brasil.* Ele propõe vender nossa soberania. Não vejo termos de comparação. Espero que essa novela do Supremo tenha um encaminhamento para podermos discutir o Brasil. Nesse *sentido*, o presidente Lula, que já lidera a disputa, abrirá uma distância ainda maior.

Coluna — A campanha de Lula deve concentrar esforços em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo?

Paulo Teixeira — Acho que o presidente Lula deveria intensificar sua agenda. Deveria fazer duas atividades por dia, uma pela manhã e outra à tarde, e se concentrar nos principais colégios eleitorais em disputa, onde há uma presença expressiva desse eleitorado pendular: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Também precisa mostrar com mais clareza, na televisão, os problemas do nosso adversário. Já mostrou que ele é amigo de pessoas que estão presas, mas agora tem que apresentar como o candidato da oposição amealhou seus bens, as acusações sobre sua relação com o crime no Rio de Janeiro, as “rachadinhas”, seu patrimônio e o escândalo do Banco Master. Ele já tomou R$ 68 milhões do Banco Master, dinheiro dos servidores do Rio de Janeiro.

A campanha tem que ser mais dura nas denúncias e colocar nossa militância nas ruas para ganhar as eleições. Acho que isso fará a diferença para Lula ser presidente, espero que já no primeiro turno.

Coluna — Como a campanha de Fernando Haddad avalia a atuação da segurança pública de São Paulo no caso dos aparelhos apreendidos na investigação sobre o filme Dark Horse?

Paulo Teixeira — Eu mesmo protocolei uma petição ao ministro Flávio Dino pedindo que o governador Tarcísio e sua polícia sejam investigados por obstrução da Justiça, porque não fizeram a perícia nesses telefones e não querem fazer. Do que eles têm medo? Por que têm medo de fazer a perícia? Exatamente porque sabem que o filme Dark Horse é a fachada para um esquema de corrupção.

Espero que a Polícia Federal possa fazer a perícia e esclarecer todo o envolvimento do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro num processo de corrupção. Esse dinheiro de R$ 60 milhões está servindo para bancar a família Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro está sobrevivendo desse processo de corrupção. Eles também pagam advogados para atuar contra o Brasil e fazem política com o dinheiro dos servidores do Rio de Janeiro e do Amapá e com dinheiro do BRB. É um grande esquema de corrupção e espero que tudo seja esclarecido antes das eleições.

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