A queda da inflação de agosto, cujos números vieram abaixo das expectativas do mercado, mantém a estimativa de um novo corte da taxa básica de juros, a Selic, na próxima quarta-feira (16/9), na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC).
Ao menos é essa a leitura de analistas, depois da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (11/9).
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Antes das análises, os dados: o IPCA caiu 0,32% em agosto, depois de alta de 0,07% em julho. O recuo foi pouco maior do que a projeção dos economistas, que estimava uma queda de 0,29%.
Na avaliação de Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, por trás do número cheio favorável, a inflação de serviços ainda não convenceu que entrou em processo de desaceleração. “Isso tende a limitar o quanto o resultado de agosto pode ser lido como sinal definitivo de desinflação estrutural”, diz. “Mas a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada ontem pelo IBGE, sugere que o setor já estagnou, o que pode contribuir positivamente para as leituras futuras.”
Boa parte da surpresa baixista veio de itens com data de reversão conhecida: energia elétrica por conta do bônus de Itaipu (efeito que tende a não se repetir em setembro), passagens aéreas e combustíveis, que são voláteis por natureza. “O Brasil iniciou um ciclo de queda da Selic num ambiente desafiador, com juros globais subindo, dúvidas sobre o fiscal e o risco de El Niño ao longo do ano”, afirma Saadia.
Para Vitor Kayo, economista da Nomad, o resultado do IPCA de agosto veio próximo à expectativa de mercado e não deve alterar as apostas para a decisão do Copom nos dias 15 e 16 de setembro, com a ampla maioria do mercado esperando um novo corte de 0,25 p.p. na Selic, para 13,75%. O dado reforça o processo de desinflação em curso e é mais um sinal a favor do diagnóstico do próprio Banco Central, que já via uma trajetória de desaceleração da atividade ao longo do ano.
Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras (Cefeb/Fipe), observa que o IPCA de agosto traz um “arrefecimento da pressão inflacionária”. “Com isso, pode-se esperar uma queda nos juros futuros mais curtos”, diz. “O dado também aumenta um pouco a pressão, mas não muito, para que o Copom continue baixando os juros, já que a inflação de 12 meses está no intervalo de tolerância da meta.”

