Os candidatos ao Governo do Distrito Federal se enfrentam nesta quinta-feira (10/9) no debate promovido pelo Metrópoles, em Brasília. O encontro reúne Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Leandro Grass (PT), que disputam o comando do Palácio do Buriti nas eleições de 2026.
O primeiro bloco foi dedicado a perguntas entre os próprios candidatos. A ordem dos questionamentos foi definida por sorteio. Cada participante teve 30 segundos para fazer a pergunta e dois minutos para respondê-la. Depois, quem havia perguntado teve direito à réplica, e o candidato questionado, à tréplica. Paula Belmonte foi sorteada para abrir a rodada.
Durante o bloco, os candidatos criticaram a atual gestão do Distrito Federal e apresentaram propostas para áreas como segurança pública, educação, orçamento e aplicação de recursos. Os confrontos também foram marcados por acusações envolvendo empresas ligadas a familiares, questionamentos sobre o BRB e a relação dos candidatos com governos anteriores.
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Acusações sobre empresas e contratos
Paula Belmonte (PSDB) abriu o primeiro bloco questionando Celina Leão (PP) sobre supostos repasses da Real JG Facilities, empresa que mantém contratos com o GDF, para a Faceng Engenharia, ligada ao marido e à filha da governadora. Paula citou um suposto contrato de R$ 1 milhão e pediu explicações.
Celina negou irregularidades e afirmou que a empresa do marido é privada, paga impostos e não possui contratos com o governo. Durante a resposta, também questionou a situação financeira da família de Paula e citou supostas dívidas.
Na réplica, Paula voltou ao contrato e cobrou uma explicação: “Eu quero saber do contrato de R$ 1 milhão”. Na tréplica, Celina manteve a negativa e voltou a mencionar recursos recebidos pela deputada por meio do BRB.
Celina também questionou Paula sobre um possível conflito de interesses pelo fato de ela ser deputada e ter recebido cerca de R$ 1,3 milhão. Paula respondeu que a AMPB recebeu R$ 1 milhão do BRB para alimentar crianças e rebateu os questionamentos.







O Metrópoles apresenta, pela terceira eleição consecutiva na capital da República, debate com os principais candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF).
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFotoRicardo Cappelli
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophotoKiko Caputo
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophotoPaula Belmonte
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophotoJosé Roberto Arruda
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophotoCelina Leão
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophotoLeandro Grass
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophotoCríticas ao governo Ibaneis
Leandro Grass perguntou a José Roberto Arruda se Celina representa uma continuidade do governo Ibaneis Rocha. Grass citou o fato de Ibaneis ter escolhido Celina como vice e questionou se uma eventual gestão dela manteria a atual linha administrativa.
Arruda também criticou a gestão atual e afirmou que o governo é “bom no marketing”, mas enfrenta problemas em áreas como saúde, educação e transporte. Também disse que Celina é “Ibaneis quando é conveniente e contra o Ibaneis quando não é”. O ex-governador classificou a administração como “o pior governo do Distrito Federal”.
Ao apresentar propostas, Arruda defendeu o corte de gastos, a reorganização das contas públicas e a busca por superávit. Também falou em diálogo com o governo federal e em medidas para solucionar problemas relacionados ao BRB.
Grass retomou as críticas à continuidade da atual gestão e afirmou que 12 secretários e ex-secretários de Ibaneis estão ligados à chapa de Celina. Entre os nomes citados estava a ex-secretária de Educação Hélvia Paranaguá, mencionada pelo candidato ao abordar o desempenho do DF no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
BRB e combate à corrupção
Kiko Caputo (Novo) perguntou a Leandro Grass se o atual governo realmente combate a corrupção e citou o caso envolvendo o BRB.
Grass respondeu responsabilizando grupos políticos que, segundo ele, estão à frente da instituição. Na réplica, Kiko rebateu e afirmou que “o Distrito Federal é governado pelo Centrão, não pela direita”.
O candidato também apresentou o Novo como alternativa aos grupos que já comandaram o DF e criticou a influência de partidos tradicionais na administração pública.
Propostas para a segurança
Ricardo Cappelli (PSB) perguntou a Kiko Caputo quais seriam suas propostas para a segurança pública. Para apresentar o cenário, citou um roubo de celular a cada 52 minutos, uma mulher vítima de feminicídio a cada 15 dias e arrombamentos semanais de estabelecimentos em Samambaia.
Kiko defendeu a valorização dos profissionais de segurança, a criação de salas especiais de segurança nas regiões administrativas e o cruzamento de dados para prevenir casos de violência doméstica.
Ao falar sobre os roubos, afirmou que há locais em que as pessoas “pensam duas vezes antes de tirar o celular do bolso”.
Orçamento e aplicação de recursos
No último confronto do bloco, José Roberto Arruda perguntou a Ricardo Cappelli o que ele faria para melhorar a aplicação dos recursos públicos. Arruda citou um orçamento de R$ 75 bilhões para uma população de cerca de 3 milhões de pessoas.
Cappelli afirmou que “o problema do Distrito Federal não é falta de dinheiro, é o dinheiro não chegar onde deveria chegar”. Para apresentar sua proposta, citou a experiência na administração do Maranhão e defendeu a destinação dos recursos para áreas consideradas prioritárias.
O candidato também falou em valorização dos professores, educação inclusiva e mencionou o desempenho do DF no Ideb.
Sete direitos de resposta
As acusações feitas durante o bloco levaram à concessão de sete direitos de resposta.
Paula teve direito de resposta após Celina dizer que ela “deve aos montes”. A deputada afirmou que sua família pode ter dívidas, mas “nunca roubou”, e rebateu os questionamentos feitos durante o debate.
Celina também teve direito de resposta e classificou as acusações como “factoides”. Ela reiterou que o marido não possui contratos com o poder público e voltou a questionar os recursos recebidos por Paula.
Em outro direito de resposta, Paula negou que sua casa estivesse sendo tomada por dívidas e classificou a informação como “inverdade”.
O primeiro bloco foi marcado por críticas à atual gestão do Distrito Federal e pela apresentação de propostas para áreas como segurança, educação, orçamento e aplicação de recursos. Os candidatos também trocaram acusações sobre contratos, empresas, BRB e a relação com administrações anteriores.

