O projeto de jíu jitsu “Lutando Pela Vida” emitiu uma nota ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização responsável pela produção de Dark Horse, o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes do contrato ser assinado por todas as partes.
As informações constam em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), embasada em relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU). A decisão autorizou 49 mandados de busca e apreensão que foram cumpridos nesta quinta-feira (10/9) pela Polícia Federal (PF).
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O projeto, coordenado pelo instrutor de jiu-jítsu Rudyge Boldrini, emitiu a primeira nota ao ICB em 9 de março de 2026. No entanto, o contrato ainda foi assinado digitalmente no dia seguinte, 10 de março.
No Portal Transferegov, plataforma digital oficial do Governo Federal brasileiro centralizada para gerenciar a transferência de recursos públicos da União para estados, municípios, consórcios públicos e entidades privadas sem fins lucrativos, a contratação da empresa está indicada no dia 6 de março de 2026, quatro dias antes do contrato ser fechado.
A microempresa individual de Boldrini foi constituída poucos dias antes de ser paga pela “prestação de serviços de coordenação técnica e organizacional das atividades de jiujitsu”, em Pirassununga, no interior de São Paulo.
O contrato previa 23 parcelas de pouco mais de R$ 4,5, que ultrapassam R$ 105 mil. A investigação mostra que o projeto foi o destino de R$ 1 milhão de emenda de Mário Frias no Ministério do Esporte.
O vínculo de Boldrini com o instituto que produz Dark Horse é mais amplo do que o contrato em Pirassununga. De acordo com a decisão de Dino, o instrutor de jiu-jítsu recebeu uma procuração outorgada pelo ICB em 27 de junho de 2023 e foi eleito 1º Conselheiro Fiscal da entidade para o mandato de 2024 a 2032, mas renunciou em novembro do primeiro ano.
Dinheiro devolvido a Frias nas eleições
- Nas eleições de 2022, Rudyge Boldrini havia prestado serviço à campanha de Mário Frias e doado ao então candidato do PL.
- No mesmo dia que recebeu R$ 7 mil de Frias, Boldrini devolveu R$ 2 mil. E pagou mais R$ 2 mil no mês seguinte.
- Dois anos depois da participação na campanha do então deputado, Boldrini foi contemplado com o termo de fomento com o ICB, bancado por uma emenda de Frias.
- As tratativas perduraram todo o ano de 2025 e só em 2026 há indícios de movimentação para a execução do projeto.

