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PMs presos por vender escolta privada chamavam comerciantes de “padrinhos”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
PMs presos por vender escolta privada chamavam comerciantes de “padrinhos”

Os três policiais militares do Rio de Janeiro (RJ) alvos de mandados de prisão cumpridos em operação do Ministério Público do Rio nesta quinta-feira (10/9) chamavam de “padrinhos” os comerciantes que pagavam por policiamento privilegiado. Eles foram denunciados pelo crime de corrupção passiva militar.

De acordo com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), o trio recebeu e negociou, entre agosto e setembro de 2021, pagamentos para oferecer escolta privada à Clínica Fênix, localizada em Belford Roxo.

O MPRJ aponta que o estabelecimento fazia parte da rede de comerciantes que pagavam os militares para receber atendimento diferenciado.

Em troca do dinheiro, os policiais direcionavam o patrulhamento, priorizavam esses locais nas rotas e compareciam quando acionados, utilizando a estrutura da Polícia Militar para atender a interesses privados.

No caso da clínica, a investigação identificou o pagamento de R$ 50 e tratativas para que o valor chegasse a R$ 100. Mensagens extraídas do celular de um dos denunciados mostram os envolvidos discutindo a diferença entre o valor pago e o que teria sido combinado.

Em uma das conversas, um dos PMs afirma que “na vez dele foi galo”, expressão usada, segundo o Ministério Público, para se referir a R$ 50, e diz ter entendido que o acordo seria de R$ 100. O outro denunciado também relata ter recebido R$ 50.

Divisões de tarefas

As investigações apontaram que um dos policiais intermediava a relação com a clínica, negociava os valores e coordenava o atendimento pelas diferentes equipes. Outro acompanhava as tratativas e os pagamentos.

O terceiro teria realizado patrulhamento direcionado ao estabelecimento, enviado ao grupo de WhatsApp fotos da atuação no local e recebido pessoalmente R$ 50.

Os fatos ocorreram entre setembro e outubro de 2021, quando os três integravam o 39º Batalhão da PM (Belford Roxo). Um deles foi expulso da corporação após o oferecimento da denúncia. A denúncia foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.

A operação

Dois dos policiais denunciados já estavam presos em razão de outro processo decorrente da mesma investigação.

Os mandados contra eles foram cumpridos no Batalhão Especial Prisional (Bep) e no presídio Joaquim Ferreira de Souza. O terceiro policial foi preso em casa, no bairro Parque Rosário, em Nova Iguaçu.

Esta é a sexta fase da Operação Patrinus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp/MPRJ) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). A ação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).

A Patrinus teve início em maio de 2024, a partir de uma investigação envolvendo policiais militares do 39º BPM, em Belford Roxo.

A análise de celulares apreendidos revelou novos integrantes e outras práticas criminosas, dando origem a sucessivos desdobramentos.

Em agosto de 2025, 10 policiais militares foram presos acusados de achacar comerciantes.

Em maio deste ano, o Gaesp denunciou 11 policiais por receberem propina para prestar segurança a estabelecimentos durante o expediente.

No mês seguinte, quatro PMs foram denunciados por peculato e comércio ilegal de arma de fogo, acusados de vender uma pistola apreendida durante uma ocorrência e dividir o dinheiro.

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