A decisão tardia de Edson Fachin de congelar a canetada monocrática de André Mendonça na Polícia Federal e a reação de Flávio Dino não apaga a demonstração de fraqueza na presidência do Supremo Tribunal Federal. Ao intervir somente após a cobrança de 11 ex-ministros e o barulho da sociedade civil, o presidente da Corte vestiu a farda de bombeiro quando o edifício institucional já estava sob fogo aberto.
A falta de pulso escancara um tribunal fraturado em polos político-partidários, onde apurações sem fim deixam de lado o devido processo legal para virar moeda de chantagem eleitoral.
Como apontou o jurista Wálter Maierovitch no programa do Noblat, o sistema de freios e contrapesos enferrujou sob a inércia da cúpula da Corte. A justiça que tarda é injustiça qualificada: ao titubear para submeter os abusos ao plenário de forma transparente, o Supremo perde a autoridade de árbitro da Constituição e consente que a toga seja reduzida a palanque a poucos dias do pleito.

