Com o primeiro turno das eleições gerais de 2026 se aproximando, os eleitores brasileiros já se preparam para mais uma votação em urnas eletrônicas. Hoje, o eleitor não precisa mais preencher uma cédula de papel para escolher seus candidatos. Mas essa realidade começou a ser construída apenas na década de 1990.
A primeira experiência com a urna eletrônica ocorreu em 1996, nas eleições municipais. Naquele ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu testar a tecnologia em 57 cidades de médio e grande porte, alcançando cerca de 32 milhões de eleitores, aproximadamente um terço do eleitorado brasileiro.
O teste serviu para avaliar o funcionamento das urnas e a adaptação de eleitores e técnicos ao novo sistema. A mudança também buscava reduzir problemas associados ao voto em papel, que estava sujeito a diferentes tipos de irregularidades.
Na votação manual, havia riscos como falsificação de cédulas e alterações durante a contagem dos votos, que poderiam comprometer a apuração e afetar a confiança dos eleitores no processo eleitoral.





Urna eleitoral antiga
Heuler Andrey/Getty ImagesUrna eletrônica
Nelson Jr./Ascom/TSEUrna eleitoral antiga
Heuler Andrey/Getty ImagesUrna eleitoral
Hugo Barreto/MetrópolesPrimeira eleição 100% eletrônica
Após a experiência de 1996, o TSE ampliou o uso das urnas eletrônicas nas eleições gerais de 1998. Naquele ano, mais de 60% dos eleitores brasileiros votaram pelo sistema eletrônico.
A expansão mostrou que a tecnologia poderia ser utilizada em uma escala maior e abriu caminho para a adoção das urnas em todo o país.
O passo definitivo ocorreu em 2000, nas eleições municipais. Naquele pleito, todos os municípios brasileiros utilizaram urnas eletrônicas, incluindo as capitais e as cidades menores. Foi quando o Brasil realizou sua primeira eleição totalmente eletrônica e o país passou a ser referência internacional no uso da tecnologia para a votação.
Quais foram as mudanças?
Uma das principais alterações trazidas pelas urnas eletrônicas foi a velocidade da apuração. Antes, a contagem dos votos em papel podia levar dias ou até semanas. Com o sistema eletrônico, os resultados passaram a ser conhecidos em poucas horas, geralmente ainda no dia da eleição.
A informatização também reduziu a interferência humana na etapa de contagem dos votos, diminuindo os riscos de erros e de alterações durante a apuração.




Cédula das eleições de 1989. Primeiro turno para Presidente da República
Reprodução/TSECédula eleitoral das Eleições Municipais de São Paulo de 1988
Reprodução/TSECédula eleitoral para eleitor cego
Reprodução/TSEOutro avanço foi a acessibilidade. As urnas passaram a contar com recursos que permitem que pessoas com deficiência possam votar com mais autonomia.
O sistema também ajuda a evitar erros no preenchimento do voto. Na tela, o eleitor consegue visualizar as informações do candidato antes de confirmar a escolha, o que contribui para reduzir votos nulos e brancos causados por dificuldades no preenchimento da cédula.
Sistema passou por melhorias
Desde a implantação, a votação eletrônica passou por mudanças e atualizações. Em 2008, o TSE começou a utilizar a identificação biométrica em eleições. O recurso permite confirmar a identidade do eleitor por meio das impressões digitais.
A segurança do sistema também passou a ser submetida a diferentes mecanismos de fiscalização. Entre eles estão os Testes Públicos de Segurança (TPU), realizados antes das eleições, nos quais especialistas e pesquisadores podem tentar identificar possíveis vulnerabilidades nos sistemas eleitorais.
A medida permite que eventuais problemas encontrados sejam analisados e, quando necessário, corrigidos antes do pleito.
Outro mecanismo de conferência é o Boletim de Urna. Emitido pela urna após o encerramento da votação, o documento registra os votos contabilizados naquela seção e é afixado no local de votação. Dessa forma, os números podem ser consultados e comparados por qualquer cidadão interessado em acompanhar a apuração.

